Esta nova "guerra" de promoções e tarifas em Corumbá parece ser interessante, mas consumidores estão preocupados com a desistência da nova empresa e com a continuação do monopólio na região. / Imagem: Montagem / Reprodução Internet

Corumbá - A Cidade Branca é uma cidade que sofre com as distâncias, localizada a cerca de 435 km da Capital, Campo Grande - na fronteira com a Bolívia. O povo da região não sofre apenas com as distâncias: sofre com a falta de opção e da concorrência, pois há mais de 20 anos apenas uma empresa monopoliza o transporte na linha que atende o trecho Campo Grande - Corumbá e vice-versa: a ANDORINHA, que atende Corumbá e Ladário há pelo menos 40 anos e acaba ditando os preços do setor naquele local.

O CURTO VOO DA SERIEMA

Em 2018 houve a tentativa da empresa campo-grandense SERIEMA estabelecer-se no setor, uma vez que a concessão da linha já havia terminado há pelo menos dois anos: a primeira concessão para a ANDORINHA datou de Fevereiro de 1996, com prazo até 2006 e em 1999, uma portaria da Seinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura) teria prolongado o prazo da concessão por mais dez anos - que encerrou em Fevereiro de 2016.

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A SERIEMA chegou com a estratégia de “fretamento turístico” e cortou o preço das passagens que custavam em média de R$ 125,00 para R$ 80,00 para o trecho.

Porém, mesmo sem nenhuma concessão oficial para a rota (desde 2016 não há mais direitos exclusivos) e mesmo com uma liminar judicial em mãos que garantia a operação da empresa, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (AGEPAN) realizou inúmeras autuações e multas pela prática “irregular” do serviço na linha, interrompendo viagens e deixando os passageiros em situação difícil, em pleno caminho.

Vale ressaltar que o valor da passagem da ANDORINHA chegava até R$169,00 antes da Seriema obter a liminar para operar a linha.

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Do outro lado, a ANDORINHA reagiu e com uma “estratégia promocional por tempo limitado”, baixou as passagens “promocionais” para R$ 65,00 e sem alternativas, a SERIEMA - de pernas quebradas - voltou para Campo Grande e abandonou Corumbá, em definitivo, em Dezembro de 2018.

Curiosamente, pouco tempo depois da SERIEMA sair do mercado corumbaense, a ANDORINHA resolveu “manter os preços promocionais” por mais 30 dias e no final de Fevereiro de 2019, tudo voltou como era antes: monopólio e preços altos.

MOBILIDADE URBANA: ESPERANÇA NO HORIZONTE

O smartphone revolucionou a vida moderna em muitos aspectos, principalmente a mobilidade urbana. O app UBER transformou o conceito de táxi - que caminha para a extinção - e democratizou o direito de ir e vir, com preços populares e qualidade para todos os gostos. E hoje começamos a ver apps que evoluíram esse conceito para outros veículos - entre eles, ônibus.

O BUSER é um desses apps que chegou na região de Corumbá em Setembro de 2019 e trouxe para os corumbaenses e ladarenses o conceito de mobilidade urbana em ônibus - e de quebra, concorrência para a empresa ANDORINHA, com até 60% de economia nas passagens do trecho Corumbá - Campo Grande e vice-versa. E diferentemente da SERIEMA - que operava na modalidade de fretamento turístico - o BUSER opera em todo o país na sua modalidade “mobilidade urbana”, LEGALMENTE - mesmo com alguns problemas enfrentados com a AGEPAN em suas primeiras viagens.

Assim, com preços acessíveis o BUSER vem conquistando e fidelizando a população local, que passou a contar com mais uma empresa trabalhando no trecho - ainda que com datas e horários mais reduzidos que a concorrência.

Porém esta semana o Correio viu - nas redes sociais - diversas manifestações negativas para mais uma PROMOÇÃO da empresa ANDORINHA - o que nos chamou a atenção - e também para a quantidade de pessoas que se engajaram, uma vez que nesta “promoção” além do preço extremamente baixo R$ 49,00 (mais barato que a maioria das viagens do BUSER), o viajante ainda contaria com “lanchinho” e refrigerante:

Consumidores cobram políticos e desconfiam da intenção da "promoção". / Imagem: Reprodução / Facebook

Consumidor sugere até mesmo manifestações contra o monopólio, por conta da promoção. / Imagem: Reprodução / Facebook

Em outro grupo de comentários, consumidores sugerem valorizar "quem te deu valor". / Imagem: Reprodução / Facebook

Outro consumidor - preocupado com a saída da concorrência assim como a Seriema fez no passado - adverte que a promoção é temporária. / Imagem: Reprodução / Facebook

Já este consumidor chama a atenção do Ministério Público para um eventual dumping de preços - prática considerada ilegal. / Imagem: Reprodução / Facebook

Já esta consumidora manifestou sua opinião de forma bastante incisiva... / Imagem: Reprodução / Facebook

Este consumidor acha que a promoção é uma "armadilha". / Imagem: Reprodução / Facebook

Usuária chamou a atenção da Rodoviária e também do Município, para a questão. / Imagem: Reprodução / Facebook

Mais uma consumidora desconfiada da promoção tenta alertar outros consumidores sobre prejuízos futuros para a população. / Imagem: Reprodução / Facebook

Consciente, a Maria Auxiliadora diz que o povo é que vai decidir se continua com o monopólio ou evolui. / Imagem: Reprodução / Facebook

O que impressiona é a quantidade de consumidores revoltados com uma promoção que em tese, ofereceria vantagens. / Imagem: Reprodução / Facebook

Em outro grupo, mais uma consumidora puxa o assunto "promoção" nas redes. / Imagem: Reprodução / Facebook

E esta é a "promoção" que aparentemente tenta barrar o avanço da concorrente Buser em Corumbá. / Imagem: Reprodução / Internet

Já este consumidor afirma que desta vez a Andorinha possui um concorrente forte e que não será abatido tão facilmente. / Imagem: Reprodução / Facebook

E mais e mais consumidores - desconfiados da promoção da empresa - alertam outros eventuais consumidores. / Imagem: Reprodução / Facebook

Pelos comentários e pela reação da população é visível um temor por parte dos consumidores que esta seja mais uma estratégia para minar as forças ou inviabilizar novamente mais uma alternativa para o transporte urbano na região.

O fato é que há pelo menos 40 anos a empresa de ônibus Andorinha atua na região e deste tempo, possui o monopólio da linha há mais de 20 anos.

Porém, mesmo após o término da concessão há quatro anos até hoje não houve “a abertura de procedimento licitatório para a necessária concessão de exploração da linha” - e até o Ministério Público de Mato Grosso do Sul já pediu - em 2017 - que o Governo do Estado se abstenha de renovar a concessão concedida à empresa Andorinha, que mesmo com a concessão da empresa vencida desde 2016, não tem nenhuma concorrente “oficial” operando no trecho.

MONOPÓLIO PREJUDICA DESENVOLVIMENTO E AFETA ECONOMIA

Enquanto a AGEPAN não abre a concessão da linha Corumbá-Campo Grande, a população - ainda que esteja aproveitando mais uma maré de preços baixos, com alternativas para suas viagens para a Capital - preocupa-se com a retirada de mais uma empresa diante de mais uma promoção agressiva da veterana monopolizadora.

Resta agora ao consumidor decidir pelo futuro da sua disponibilidade de opções para sua própria mobilidade - e em especial, a AGEPAN definir o mais rapidamente possível, uma concorrência ampla e diversificada - o que auxiliaria a desenvolver o turismo da região, com preços para todos os gostos e classes, assim como acontece em praticamente em todo o restante do Estado.

E também resta agora ao consumidor, cobrar isso - e não apenas nas redes sociais. Vamos acompanhar.

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