Tudo por causa de um bendito relógio. Mas senta que o causo é longo.

Uma das figuras mais emblemáticas de Corumbá vem do período em que este território brasileiro foi dominado por tropas paraguaias durante a Guerra do Paraguai, episódio que figura em nossa história.

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Frei Mariano de Bagnaia era italiano, natural da província de Viterbo. Vocacionado, aos 15 anos entrou para a Ordem dos Capuchinhos, onde concluiu os estudos em Teologia, Filosofia e Letras. Chegou ao Brasil, Rio de Janeiro, em março de 1847, se dirigindo para o Estado do Mato Grosso.

Depois de peregrinar por outros cantos o clérigo chegou a Corumbá, após ter sido prisioneiro de Guerra. Antes de chegar a Cidade Branca, Frei Mariano foi capturado, duramente torturado e quase executado pelas tropas do ditador paraguaio Solano Lopez.

Mas a sua presença na história pantaneira ficou marcada por uma guerra pessoal com um político da época, dono de um jornal. Considerado um herói da Guerra do Paraguai, Frei Mariano foi nomeado Pregador Imperial com honras de Major do Exército Brasileiro, por Carta Imperial de 08 de outubro de 1873.

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Em Corumbá, conhecido por sua vaidade exacerbada o religioso mandou erguer, em 1885, a igreja Nossa Senhora da Candelária (hoje Catedral, construção preservada até hoje no Centro da cidade) e colocar em cima um relógio, o que aconteceu em 1887. Diante disso, um político local garantiu ao Frei que arcaria com todos os custos.

Empolgado, Frei Mariano trouxe da Itália um relojoeiro para fazer o serviço que ao ser terminado revelou uma triste surpresa: o político não quis pagar o relojoeiro que, indignado, começou a chamar Frei Mariano de caloteiro. Para a sociedade da época, a ofensa era muito grave. Ao mesmo tempo, o dono do jornal da cidade iniciou uma campanha difamatória lançando a manchete de que Frei Mariano havia dado calote no relojoeiro Italiano. Os fatos ganharam repercussão e as pessoas começaram a boicotar a missa, criando grande desconforto para a igreja.

A celeuma provocou a transferência de Frei Mariano de Bagnaia para a província de São Paulo e uma cena que iria se eternizar na história corumbaense. Revoltado, ao entrar no trem que o tiraria de Corumbá, o religioso pegou seus chinelos, bateu e disparou a célebre frase: “Desta cidade nem o pó levarei”.

Já as “más-línguas” dizem que o religioso teria, inclusive, enterrado suas sandálias em um local desconhecido na cidade e que somente depois de encontrá-las Corumbá voltaria a crescer. A “praga rogada” teria condenado Corumbá à estagnação e pobreza por 100 anos, enquanto não fossem descobertas as sandálias enterradas.

Coincidência ou não, a Capital do Pantanal sofreu um período de estagnação econômica desde o fim do comércio fluvial. Anos depois, em terras paulistas, de passagem por São Pedro do Turvo Frei Mariano cometeu suicídio cortando com uma navalha a própria garganta.

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