Hoje, dia 11 de outubro de 2018, completam 41 anos do desmembramento de Mato Grosso, que geraria o nosso estado Mato Grosso do Sul. A assinatura da Lei Complementar 31/77 foi no dia 11 de outubro de 1977, no gabinete do Presidente general Ernesto Geisel, em Brasília.

A divisão do Estado do Mato Grosso, promulgada no ano de 1977, é um marco da coroação da luta separatista promovida por nortistas e sulistas em embates políticos, ideológicos e até mesmo físicos que perduraram por cerca de cem anos.

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História

A separação de Mato Grosso do Sul foi a segunda divisão de Mato Grosso. A primeira foi em 1943, que deu origem ao território de Guaporé, hoje conhecido como Rondônia, e que deu origem também ao território de Ponta Porã.

A divisão do estado de Mato Grosso não foi um consenso. Enquanto alguns ainda condenam as forças divisionistas, outros argumentam que a divisão serviu para impulsionar o desenvolvimento em ambos os estados. Para alguns, a decisão de dividir o MT veio “goela” abaixo dos mato-grossenses, por ordem dos militares que governavam o país, fato que causou muita polêmica na época, pois não se foi feita consulta popular sobre a decisão.

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Enquanto no Mato Grosso do Sul o dia de hoje é feriado, em Mato Grosso a lembrança é mais "amarga". A rivalidade, na época, levou a depredação de carros com placas de Campo Grande e Corumbá, além das desavenças esportivas que se estendem até os dias atuais.  

Garcia Neto, chefe do Executivo estadual na época, ficou conhecido como um dos responsáveis pela divisão. Em defesa própria, no entanto, o governador declarou que também foi pego de surpresa, e que apenas soube do acontecimento quando já estava no gabinete de Geisel.

Razões para a divisão

A divisão de Mato Grosso em dois estados aconteceu devido a um processo demorado em que foram levados em consideração aspectos sócio-econômicos, políticos e culturais. Enquanto o Sul do estado tentava a divisão, o norte endurecia e barrava as intenções sulistas. 

O movimento divisionista no eixo Sul foi originado por volta de 1889, quando alguns políticos corumbaenses divulgaram um manifesto propondo a transferência da capital de Mato Grosso para Corumbá. A atitude não teve resultados na época, mas mostrou que a tímida ação política poderia retornar com mais força.

O movimento divisionista ganhou força com a regularização das viagens ferroviárias. O crescimento sócio-econômico do Sul do estado com a pecuária e a exploração da erva-mate marcaram o movimento. Mesmo com a prosperidade do Sul, Cuiabá ainda mantinha o poder político e administrativo, mesmo que as grandes distâncias a deixassem isolada das cidades do Sul e da capital federal, Rio de Janeiro. 

Em 1921, Campo Grande passou a ser sede da Circunscrição Militar, hoje Comando Militar do Oeste. Em seguida, a cidade foi considerada a capital econômica de Mato Grosso devido à exportação na estação ferroviária. Anos mais tarde, em 1946, Eurico Gaspar Dutra assumiu a presidência da República após a deposição de Getúlio Vargas. Novamente a tentativa de transferir a capital de Cuiabá para Campo Grande foi frustrada. Dutra reforçava a política de integração nacional, que incentivava a manutenção da unidade estadual.

Lei pró-divisão
O governo federal estabeleceu, em 1974, a legislação básica para a criação de novos estados e territórios. No ano seguinte, renasceram as idéias divisionistas devido à discussão dos limites de Mato Grosso com Goiás. O movimento tomou fôlego e, em 1976, a Liga Sul-Mato-Grossense, presidida por Paulo Coelho Machado, liderou a campanha. Do outro lado a oposição era do governador de Mato Grosso, José Garcia Neto. 

Trabalhando com rapidez e sigilo, os integrantes da Liga forneceram ao governo federal subsídios necessários para viabilizar a divisão do Estado. A lei foi assinada pelo presidente Ernesto Geisei no dia 11 de outubro de 1977 e publicada no Diário Oficial do dia seguinte. 

Mato Grosso tinha à época 93 municípios e 1.231.549 quilômetros quadrados. A lei dividiu o Estado e deixou Mato Grosso com 38 municípios e Mato Grosso do Sul com 55. Apesar de ter menos municípios, Mato Grosso ficou com a maior área: 901.420 quilômetros quadrados.

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