O vereador Edu Rocha, assassinado em 1959 pelo Inspetor da Alfandega de Corumbá, Carivaldo Salles. Hoje o vereador dá nome a uma rua muito conhecida em Corumbá. / Imagem: Arquivo Jornal O Cruzeiro

Corumbá, 29 de julho de 1959. O campeão de votos em Corumbá, vereador Edu Rocha (37), é metralhado ao sair da Câmara Municipal de Vereadores.

Seu assassino era ninguém menos do que o Inspetor da Alfândega de Corumbá, Carivaldo Salles.

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O homicídio foi motivado pela denúncia de Edu Rocha contra Carivaldo. O inspetor da Alfândega traficava carros, os famosos “rabos-de-peixe”. Nos anos 50, Corumbá era conhecida pelo contrabando de Cadillacs, os quais entravam pela fronteira Brasil-Bolívia.

Antes de falecer, Edu Rocha era também funcionário do Serviço de Navegação do Bacia do Prata. Eleito em 1958, pelo PSD (Partido Social Democrático), com 800 votos, o integrante da Casa do Barão de Vila Maria denunciou Carivaldo Salles à famosa revista brasileira “O Cruzeiro” do jornalista Assis Chateaubriand.

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Além de levar o caso à imprensa, Edu Rocha levou o caso pessoalmente ao então senador Filinto Muller, que havia sido o chefe da Polícia Federal do presidente Getúlio Vargas. No encontro ocorrido no Grande Hotel Corumbá, Rocha teria denunciado todo o esquema de contrabando.

Não é preciso dizer muito: as denúncias do vereador deixaram o inspetor da Alfândega em estado de nervos. Furioso, o inspertor Carivaldo Salles, ao lado de seu comparsa, identificado como Papito, ficaram de tocaia dentro de um carro na espera da saída do vereador da Câmara.

Ao vê-lo, na calçada da Câmara, na Rua XV de Novembro, no Centro da cidade, os dois metralharam Edu Rocha que faleceu no mesmo local.

O crime comoveu a cidade. O irmão do parlamentar, Badeco Pereira da Rocha, enviou telegrama ao presidente da República, Juscelino Kubitschek, comprometendo-se a apresentar documentos capazes de fixar responsabilidades no ocorrido.

Carivaldo Salles ficou foragido por uma semana, se apresentando à Justiça somente em 5 de agosto quando foi ao 17° Batalhão de Caçadores. Acompanhado de seu advogado Luiz Freitas, se apresentou ao coronel Hermenegildo do Nascimento.

Em depoimento, Carivaldo negou a autoria do crime e permaneceu alguns dias detido, negando sempre ter matado Edu Rocha. Em júri popular, Carivaldo Salles foi absolvido. Ao final do processo penal, Sales foi exonerado do serviço público e mudou para a cidade do Rio de Janeiro. Ninguém sabe o que aconteceu com ele.

O vereador Edu Rocha era casado com a professora Eunice Ajala Rocha com quem teve uma filha, Marilia Rocha, que no momento da morte do pai tinha 12 anos. Hoje o vereador dá nome a uma rua muito conhecida em Corumbá. Já sua história, ao contrário, é pouco conhecida pelas novas gerações.

Um histórico caso de um crime que ficou sem punição em Corumbá.

Veículo em que estava o vereador Edu Rocha quando foi alvejado. Fonte:R Manchete (1959) - edição 383

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