Em 13 de junho de 2010, em pleno feriado da Retomada de Corumbá, a pequena menina Lívia Gonçalves Alves, trajando um macacão com flores laranjadas, desapareceu depois de sair da casa dos pais para visitar uma tia, no bairro Cristo Redentor.

Era domingo, e por volta das 6h00 da tarde, a família de Lívia começou as buscas que durariam até os dias de hoje. Desde aquela tarde de domingo de 13 de junho de 2010, Lívia de apenas 07 anos não foi mais vista.

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O caso causou comoção na comunidade corumbaense, que chegou a realizar passeatas pelo Bairro Cristo Redentor, cobrando da Polícia Civil soluções que, infelizmente, não vieram.

Na época, a delegada responsável pelo caso, Priscila Anuda Quarti Vieira, da Delegacia de Atendimento à Infância, Juventude e Idoso (Daiji), abordava sempre em entrevistas acerca da complexidade do caso, devido ao fator mais preponderante no que diz respeito a desaparecimentos de pessoas, sobretudo crianças: a fronteira.

A fronteira com a Bolívia, em Corumbá, tornava a situação crítica, uma vez que as investigações brasileiras não podiam atuar com liberdade no país vizinho e as maiores suspeitas era que a menina Lívia havia sido levada para o outro lado, integrando uma possível rede de tráfico sexual de menores.

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Naquele mesmo mês de junho, três pessoas chegaram de ser presas acusadas de envolvimento no desaparecimento da menina e integrarem uma rede de pedofilia na cidade. A prisão foi realizada após testemunhas dizerem que chegaram de ver a menina acompanhada de uma menor de 12 anos. A menor foi localizada e confessou que intermediara a menina Livia para um homem mais velho na cidade.

Todavia, nenhum dos suspeitos chegou de confessar o crime contra Lívia, e o caso prosseguiu sem respostas. Ainda foi testemunhado a respeito de um “homem barbudo” que teria acompanhado a menina e visto por vizinhos. Mas nada concreto foi localizado.

Desaparecimento de crianças e adolescentes em região de fronteira

O Brasil é um dos países mais vulneráveis da América Latina, no que diz respeito ao tráfico internacional de crianças, tendo em vista a falta de uma legislação mais rigorosa e da fragilidade das fronteiras e fiscalização. Em todo o País, por ano, 2.728 municípios registram denúncias de exploração sexual infanto-juvenil e desaparecimento de crianças. 

Em algumas fronteiras, nem mesmo documentação é exigida quando há um adulto com criança. Muitas vezes, essa raptura não chega a ser feita de modo violento, mas por meio de aliciamento das famílias ou da própria criança.

A maior motivação dessa rede é, evidentemente, o lucro, que movimenta mais de 30 bilhões por ano, segundo Relatório da Unicef de 2015.

Foram detectados no Brasil, segundo a UNICEF, 1.820 pontos vulneráveis à exploração sexual, em especial nas rodovias. Metade desses pontos se localiza nas regiões em que os estados brasileiros fazem fronteira com outros países da América do Sul, como a região sul, centro oeste e norte.

No ranking das regiões que mais denunciam os abusos cometidos contra as crianças e adolescentes destaca-se o Centro-Oeste, que ocupa o primeiro lugar. O Mato Grosso do Sul está no quarto lugar dentre os Estados que mais denunciam os casos de exploração sexual.

Desde 2013, em Corumbá, prioriza-se o reforço nas ações de enfrentamento e combate à exploração sexual de crianças e adolescentes nos municípios de fronteira. Porém, o perigo ainda reside. 

Interpol

O lucrativo negócio do tráfico de pessoas, que, em maior ou menor medida, afeta a todos os países do mundo, é um dos crimes que mais preocupam a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), sendo um dos desafios cujo combate é uma das prioridades da organização. O caso de Lívia está cadastrado na Interpol desde 2013.

A interpol possui um serviço de cadastro de pessoas desaparecidas com acesso mundial ao banco de dados, para localização de crianças ou adultos.O serviço é chamado "Alerta Difusão Amarela" e é utilizado principalmente para localizar crianças vítimas do tráfico de pessoas, para escravidão, prostituição ou adoção ilegal.

Porém, segundo a Delegacia da Polícia Federal de Corumbá, mesmo com a divulgação da imagem da menina pela INTERPOL ao longo desses anos, nada de novo foi encontrado. 

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