Carismático e dono de uma mente brilhante, o professor de física Francisco Eduardo Nunes Ferreira (62 ) já foi responsável pela formação de inúmeros alunos na cidade de Corumbá. Atuante até o ano de 2009, o professor era reconhecido pela maestria de suas aulas e por fazer disciplinas exatas como Física e Matemática, as mais temidas pelos alunos, se tornarem acessíveis e até agradáveis.

Natural do Estado de Pernambuco, mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro onde se formou na Universidade Federal do Rio de Janeiro em Física/Licenciatura. Mas foi em Corumbá que Eduardo encontrou seu terreno, constituindo família e atuando como docente em diferentes instituições da cidade, sendo a última e mais memorável a Escola Particular Tenir, onde licenciou até o ano de 2009, ano em que a fase mais dificil de sua vida começou.

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Enquanto realizávamos a entrevista com o professor, este se manteve deitado em sua cama, bastante cauteloso com o movimento que realizava com os braços. Sentia dores, porém em oito anos convivendo com a doença, o professor encontrou um ponto de tolerância às dores que classifica como “imensuráveis”. A saga mais sombria do professor de física começou com a descoberta da diabetes no ano de 2009. Até então, sem sentir muitas dores, passou a se exercitar e buscar um estilo de vida mais saudável. Porém, meses depois do diagnóstico, suas dores foram aumentando, impedindo-o de correr e, logo também, de andar.

Após uma bateria de exames com neurocientistas em Campo Grande e São Paulo, o professor descobriu finalmente a causa de suas dores: uma condição rara que faz secar o líquido da mielina dos axônios, uma substância “gordurosa” que isola a membrana celular do neurônio. Sem a mielina, os nervos do ser-humano são como fios desencapados. Os danos na bainha de mielina dos neurônios provocam dores crônicas, prejudicando asensação, movimentos, cognições e outras funções, dependendo dos nervos envolvidos.

A condição rara e não curável obrigou o professor a encerrar sua carreira em 2009, pois qualquer movimentação tornou-se insuportável para seu corpo. Hoje cadeirante, Eduardo só se ausenta de casa para ir ao Pronto-Socorro que, segundo ele, tornou-se quase uma segunda casa.

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Não é raro eu chegar no PAM aos berros. Os enfermeiros já me conhecem e já me aplicam uma dose grande morfina, pois é a única medicação capaz de amenizar a dor. Eu não conseguiria descrever para alguém a sensação... é terrível! É uma dor imensurável.

Professor Eduardo, portador de doença crônica de desmieliniza os axônios

A situação transformou sua família que teve que se reorganizar para lidar com sua condição. A reorganização teve que ser principalmente financeira, uma vez que os exames e, sobretudo, a medicação, que é perpétua, é cara e deve ser comprada em quantidade.

O professor Eduardo conta com a ajuda de antigos alunos que o assistencializam como podem, visitando-o eventualmente e lhe levando doações. 

São meus antigos alunos que me dão a maior assistência hoje. Alguns me trazem sacolão, outros me compram os medicamentos. Um me deu esta cama onde hoje estou deitado, e uma aluna me deu um ar-condicionado. Eu fico extremamente emocionado com este retorno, pois sinto que não fui esquecido, principalmente por aqueles que acompanhei crescer.

desabafa emocionado.

A decisão do STF sobre o fornecimento de medicação para doenças raras

Há um ano, o STF colocou em julgamento a responsabilidade do Estado no que diz respeito ao fornecimento de medicamentos de alto custo às pessoas que recorrem à Justiça com o intuito de garantir o tratamento e a estabilidade do quadro de saúde. Na ocasião, a sessão foi interrompida por um pedido de vista e, até hoje, a pauta não retornou ao plenário; neste período, todas as demandas relacionadas ao assunto foram suspensas pelos juízes a partir de ordem do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Mais que uma questão burocrática, o entrave representa uma questão de saúde, uma questão de vida. Sem medicamentos, muitos pacientes sofrem com a falta de tratamento adequado e outros chegaram a óbito, já que não tiveram acesso às medicações e, por vezes, se viram impossibilitados de custear os remédios.

 

Solidariedade

Esta matéria foi realizada no intuito de promovermos uma ação solidária com o professor Eduardo. Há mais de 20 anos dando aulas na cidade de Corumbá, o professor Eduardo foi mestre de muitos profissionais atualmente com grande sucesso na cidade e no Brasil afora. Mais do que um ato solidário, nunca é tarde de retribuirmos a dedicação de um grande mestre em nossas vidas. Portanto, se você possui condições de fornecer algum medicamento, tais como:

  • Cloridrato de tramadol
  • Cloridrato de metformina
  • Dorene (Pregabalina)
  • Dastene (Dutasterida)

Ou, queira contribuir com quantia de valores para a compra dos medicamentos e de uma cadeira de rodas motorizada, ou até com a doação de alimentos, será extremamente bem-vindo a ajudar este grande professor. 

O contato do professor Eduardo é 67 99235 5010

Endereço: Rua Afonso Pena, 794, Bairro Universitário. 

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