Ex-vereador Vagner Gonçalves era vereador. / Imagem: Perola News

Depois de sete meses e seis dias de prisão no Centro de Triagem de Campo Grande, o agora ex-vereador de Ladário, Vagner Gonçalves (PPS), deixou a cela 17 negando as denúncias de participação em mensalinho e vai tentar reaver o mandato na Justiça.

Em novembro do ano passado, equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) foram às ruas de Ladário, a 419 km de Campo Grande, para cumprir mandados de prisão contra o então prefeito Carlos Ruso e sete vereadores acusados de receber valores, entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil mensais, para lhe darem apoio na Câmara Municipal.

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Nesta segunda-feira (01), o TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) concedeu habeas corpus para Gonçalves, que deixou o presídio na manhã desta terça-feira (dia 2). Desde novembro, ele havia saído do Centro de Triagem uma vez, quando recebeu atendimento na UPA Tiradentes (Unidade de Pronto Atendimento) para diabetes. “A glicemia foi a 470. Depois, não saí mais”, diz.

Conhecida como a cela dos famosos, a cela 17 é destinada a presos com ensino superior, mas vem se especializando em abrigar políticos. “São 24 camas e às vezes tem 30 presos. O Giroto é nossa referência, homem exemplar”, afirma Gonçalves sobre Edson Giroto, ex-deputado federal e ex-secretário de Obras, que foi condenado na operação Lama Asfáltica e está preso há mais de um ano.

Em liberdade, o ex-vereador reclama que o MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) não levou à frente suas denúncias contra o vereador Fábio Peixoto de Araújo, que fez a delação do esquema.

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“Eu virei um empecilho para eles. Na verdade, eu não fui pego com nada, não tem foto com dinheiro. Sou suboficial da Marinha, cheguei à cidade em 2014 e estava fazendo um trabalho sério. Acho que o Ministério Público foi usado politicamente na tentativa de acertar”, diz.

O ex-vereador vai tentar reaver o mandato porque avalia que o processo de cassação foi irregular, desrespeitando prazos. “Fui eleito pelo povo e só o povo pode me tirar”.

Em dezembro de 2018, Peixoto disse que as denúncias do então colega de Câmara eram infundadas e que o processaria por calúnia e difamação.

Segundo o advogado Valdecir Balbino da Silva, que representa Gonçalves, a acusação genérica do Ministério Público não individualiza a conduta hipoteticamente atribuída e impossibilita a ampla defesa do acusado.

Moeda de troca

De acordo com a operação, prefeito, secretários e vereadores se uniram para prática de crimes contra a administração pública.

O chefe do Poder Executivo passou a subornar os vereadores para comprar apoio político, aprovação de projetos de seu interesse e arquivamento de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar irregularidades na saúde.

As moedas de troca eram nomeação de pessoas indicadas em cargos em comissão no município ou pagamento de propina mediante “mensalinho”.


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