Maciço do Urucum (MS) abriga rochas que estão expostas na superfície desde o tempo dos dinossauros — nem mesmo as fortes chuvas do pantanal conseguem desgastá-las.

No extremo oeste do Mato Grosso do Sul, a 30 quilômetros da fronteira com a Bolívia, um morro imponente se destaca na paisagem. É a maior e mais culminante paisagem rochosa do estado, com cerca de mil metros de altitude. Está localizada na zona rural de Corumbá, uma das cidades mais extensas do Brasil, cuja área supera a da Suíça.

Recentemente, pesquisadores foram olhar de perto as rochas da região — e descobriram que são antigas. Muito antigas.

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Análises de diversos elementos químicos indicaram que as pedras hoje expostas no Maciço do Urucum permaneceram praticamente intactas pelos últimos 70 milhões de anos. Elas estão do mesmo jeito desde a época que os dinossauros caminhavam sobre a Terra.

Não se sabe de nenhum outro pedaço da crosta terrestre que tenha resistido por tanto tempo às intempéries. Essas montanhas são, provavelmente, a paisagem mais antiga do planeta. Pelo menos até que se prove o contrário.
Levando em conta que o ambiente fica em pleno pantanal, bioma muito chuvoso, tamanha conservação torna-se ainda mais surpreendente. Chuva costuma causar erosão de formações rochosas como essa. Quem liderou os estudos que chegaram a esta conclusão foi o geólogo Paulo Vasconcelos, pesquisador da Universidade de Queensland em Brisbane, na Austrália. Os resultados foram publicados no periódico Earth and Planetary Science Letters.

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Foram analisados isótopos de hélio, berílio, alumínio e cloro nas rochas para descobrir quimicamente o tempo pelo qual elas ficaram expostas. O estudo ajudou a explicar porque, mesmo com tanta chuva, foi encontrado um baixo índice de erosão.
O processo está relacionado às grandes concentrações de ferro (e outros minerais) no local. Eles preenchem os poros das rochas, o que impede a entrada de água. Com o passar do tempo, esses elementos acabam “cimentando” as pedras, que se tornaram praticamente impermeáveis, limitando muito a erosão. Foi assim, acreditam os cientistas, que a paisagem ficou protegida.

É claro, porém, que a região não desperta o interesse apenas dos geólogos. Mineradoras exploram a área, e atuam fortemente no Maciço do Urucum, extraindo dali sobretudo ferro e manganês, mas também outros minérios.

A maior delas é a Vale, dona de 20 barragens de rejeitos de ferro em Corumbá. Depois das tragédias de Mariana e Brumadinho, as autoridades locais ficaram preocupadas. A paisagem resistiu intacta à ação da natureza por 70 milhões de anos — seria o cúmulo que a ação do homem a destruísse.

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