Uma manifestação organizada pela MFBP (Mulheres da Frente Brasil Popular) contra o feminícidio e todas as modalidades de violência contra a mulher foi reunida hoje às 9h00 da manhã em frente ao cemitério Santa Cruz, na Rua Dom Aquino, em Corumbá. Professores da Rede Municipal de Corumbá, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, bem como alunos, integraram a manifestação.

O movimento ocorre em memória da professora Nádia Sol Neves Rondon (38), professora de Língua Portuguesa e Inglês da Escola Municipal Pedro Paulo de Medeiros, que foi brutalmente assassinada pelo ex-companheiro no último domingo (10).

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Nádia foi esfaqueada pelo 36 vezes por seu ex-companheiro Edevaldo Costa, quem está passando por audiência de custódia nesta manhã no Fórum de Corumbá.

A manifestação prosseguiu até as portas do fórum, onde os integrantes, aos gritos de “NÁDIA VIVE!” exigem a punição máxima ao acusado.

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Para a professora Raquel do Prado, que é presidente do Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação (SIMTED) de Corumbá, a luta contra o feminícidio excede o campo legal, e deve ser tema de discussão dentro das salas de aulas.

Nós, como educadores, temos o papel fundamental de levantar discussões, debates, palestras, que vislumbrem a temática do feminicídio e da violência contra a mulher. Temos que diariamente conversar com nossos alunos acerca do comportamento, das questões que envolvem os relacionamentos humanos, a fim de evitarmos esse ódio, o machismo, a noção de posse que muitos homens acreditam ter em relação a companheira. Essas questões de machismo começam desde a infância, quando por exemplo o irmão acha que pode bater na irmã. Por isso, devemos também entender que os diálogos devem estar dentro das famílias, dentro de casa, trazendo para as escolas e espalhando em todos os setores da sociedade. Não podemos continuar vendo mulheres sendo mortas ou violentadas tão cruelmente! Hoje, a professora Nádia, é mais um número entre tantos que preenchem esses dados alarmantes. Mas hoje lembramos o nome dela aqui e exigimos justiça para seu assassino! Ele não pode sair da prisão, ele tem que pagar a sentença em regime fechado.

Professora Raquel do Prado, presidente do Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação (SIMTED)

Em meio a manifestação, estava uma ex-namorada do acusado, Edevaldo Costa. A mulher, que pediu para não ser identificada, relatou que teve uma relação conturbada com o acusado, e que chegou de ir na Delegacia de Polícia Civil de Corumbá para prestar queixa. Porém, a demora no atendimento a desmotivou. “Fiquei sentada lá. aguardando alguém me atender, vários homens andando de lá para cá... me senti constrangida e desisti. Nós terminamos logo depois. Embora nossas brigas, não imaginava que Edevaldo seria capaz de matar alguém. Hoje, vejo que poderia ter sido eu. É terrível, estou muito abalada”.

Feminicídio no MS

“A matança de mulheres por homens, porque elas são mulheres”. Essa é a definição da palavra feminicídio, usada pela primeira nos anos 70 pela autora feminista Diana E. H. Russell. O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídio, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

Em Mato Grosso do Sul, a violência contra a mulher chegou a um ponto crítico. Segundo a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), o estado registrou 27 casos de feminicídio em 2018. É como se em média 2,25 mulheres fossem mortas a cada mês.

Ainda de acordo com a secretaria, o feminicídio foi o único crime que registrou aumento no estado. Homicídios dolosos tiveram redução de 15%, os homicídios culposos no trânsito recuaram 12% e os roubos seguidos de morte tiveram queda de 5%.

Até o fechamento desta matéria, a manifestação prosseguia em frente ao Fórum de Corumbá aguardando a audiência de custódia do acusado. Atualizaremos a matéria com mais informações.

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