“Obrigada por vir me ver”, escreveu Júlia, 8, à voluntária Gabriella Pereira, 23, em um diário entregue por uma enfermeira a ela após sua morte. A menina de 8 anos tinha leucemia e estava em uma instituição para adoção em Carapicuíba, região metropolitana de São Paulo, após ter sido abondonada pelos pais.

O caso foi relatado por Gabriella em sua página em uma rede social na última quinta-feira (10), um dia após a morte da menina, causando grande comoção - a publicação teve mais de 35 mil curtidas e 19 mil compartilhamentos.

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“Só faço aqui um pedido às mães que colocam crianças no mundo e abandonam. Vocês não fazem ideia do que é uma criança crescer sem ter um apoio fixo”, escreveu.

Gabriella, que é bancária, afirma que conheceu Júlia há dois anos em um “abrigo de crianças abandonadas” entre os trabalhos sociais nos quais atua. “Desde então, não era mais um trabalho, era amor”, disse ela.

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Ela a visitava toda semana e estava presente em datas importantes como Dia das Crianças, Natal e aniversário. “As outras crianças tinham sempre alguém que as visitava, mas ela tinha apenas eu. Sua irmã foi adotada quando tinha meses, mas a Júlia estava com 8 e lutava pela cura da leucemia todos os dias”.

“De dezembro pra cá, parei de ir tão frequentemente, pois não tinha tanta estrutura emocional para vê-la cada vez mais debilitada”, afirma.

A voluntária tentava realizar todos os desejos da menina, que, inclusive, registrou em seu diário. “Obrigada por me dar o videogame que pedi (...). Obrigada pela sandália de salto, por trazer aquele lanche que eu vi na TV, obrigada por vir me ver no meu aniversário e trazer sorvete de morango”.

Gabriella conta que o primeiro pedido de Júlia foi que queria ter cabelo. “Então cortei o meu e doei para ela”, diz. Seu cabelo estava na cintura.

Júlia escreve no diário que tentou localizá-la quando estava partindo, mas não conseguiu. Quando Gabriella chegou, foram lhes entregue seu diário e seu batom, a pedido de Júlia.

“A única coisa que tive acesso”, disse Gabriela. “Mesmo com todas as dificuldades que ela passou em 8 anos de vida, ainda me deixou uma mensagem me apoiando com a sua partida”, completou.

A menina não escondia o desejo de ser adotada por Gabriella, a quem considerava “melhor amiga”.

“Você é a minha melhor amiga e eu queria que você fosse a minha mãe”, escreve no diário. Ela pede, ao final, que a voluntária não fique triste com a sua morte, porque estava sofrendo.

Gabriella revela que pensou em adotá-la. “Entrei com a documentação para fazer a adoção, estava com um pedido em andamento, mas não deu tempo. Vi que seria difícil pela idade e por não ser casada”, disse.

Ao final do relato na rede social, ela deixou um desabafo. “A dor é grande e o alívio também. Ela descansou e eu deixo essa homenagem pela força que teve e por tudo que foi nesse mundo. A tia Gabi te ama, você será minha eterna melhor amiga e estará sempre em meu coração”, conclui, no relato.

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