A mestranda em Biologia Vegetal (UFMS), Larissa Machado (25), desenvolveu o projeto "Diário do Aluno" para expor as pesquisas conduzidas dentro da UFMS. / Imagem: Facebook

​Qual é o impacto da universidade pública na sociedade brasileira?

Longe das revistas científicas de alto qualis ou dos congressos em instituições de alto nível, a pergunta, que tem movimentado acadêmicos e professores do Brasil inteiro, busca elucidar sua resposta para um público menos complexo, porém, numericamente maior: a comunidade não-científica.

Recentemente, o país se viu imerso em uma onda de protestos e declarações que desvalorizavam o ensino e a pesquisa no Brasil. Um dos principais motivos destacados para esse movimento de depreciação foi a falta de interação e conhecimento do brasileiro médio sobre as universidades, especialmente as federais.

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Conforme dados do IBGE, de 2016, somente 15% dos brasileiros possuem Ensino Superior, o que significa que as universidades brasileiras ainda não conseguem ser acessíveis à todos os níveis sociais.

Além disso, a propagação de fake news sobre as universidades tem fomentado o desconhecimento e a desvalorização da função social das instituições.

Foi pensando neste distanciamento entre o universo acadêmico e a sociedade comum que a mestranda Larissa Machado (25), graduada em Biologia e aluna do programa de mestrado em Biologia Vegetal, da UFMS em Campo Grande, desenvolveu o projeto “Diário do Aluno”.

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Eu fiz o projeto "Diário do Aluno" para enaltecer, através de filmagens, relatos de alunos que desenvolvem pesquisas dentro dos diferentes campus da UFMS. No meu cotidiano, dentro da universidade, eu percebia esse distanciamento da população com as pesquisas que conduzimos. As pessoas, que estão fora dos muros das universidades, muitas vezes não entendem o motivo de manifestarmos contra o corte de verbas, contra o corte de bolsas. A maioria não entende para onde vão os recursos, pois não teve a possibilidade de ver de perto o desenvolvimento de uma pesquisa. Neste sentido, eu pensei em trazer um recurso para o aluno que desenvolve uma pesquisa, seja da graduação ou da pós, ter voz e conseguir levar seus conhecimentos para a comunidade externa.

Larissa Machado, mestranda em Biologia Vegetal (UFMS)

A projeto funciona de forma simples: os alunos filmam seus relatos científicos, abordando o tema da pesquisa e a metodologia utilizada, bem como os impactos daquela pesquisa na sua vida pessoal e na própria sociedade. A página do projeto compartilha estes mesmos relatos através da rede social Facebook, alcançando, deste modo, uma parcela considerável da população.

Através de um formulário oferecido na própria página do projeto, os alunos se inscrevem e marcam um momento para realizarem seu relato. Atualmente, o projeto conta com mais de 200 seguidores na rede social, e tende a se expandir.

Sem finalidade político-partidária, o projeto serve também como um modo de transparência para o cidadão entender sobre como e onde os recursos destinados às pesquisas universitárias, no caso, da UFMS, são aplicados. Além disso, evidencia-se os rostos por detrás das pesquisas: alunos, em sua maioria, jovens, que vieram, em grande parcela, de escolas públicas, e que descobriram na experiência da pesquisa científica novos horizontes de expectativa.

O projeto de Larissa integra uma onda de manifestações educativas que envolveu o Brasil desde que o Ministério da Educação dispôs o contingenciamento de 30% dos recursos das universidades federais brasileiras.

Seja através da exposição de materiais científicos em praças ou ruas movimentadas, seja em aulas públicas em escolas de ensino básico ou postagens de relatórios de pesquisa nas redes sociais, as universidades vêm se organizando para levarem a desmistificação de informações que visaram denegrir os cursos superiores e a comunidade acadêmica brasileira.

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