De um lado uma pessoa meiga, tranquila e agradável. De outro, uma estelionatária com traços de psicopatia. Assim Pâmela Ortiz de Carvalho, de 36 anos, assassina confessa da idosa Dirce Santoro Guimarães Lima, de 79 anos, foi descrita pelas equipes responsáveis pela investigação do crime.
Durante todo o depoimento, Pâmela tentou passar a imagem de uma pessoa tranquila, agradável e meiga, que se preocupava com o desaparecimento de Dirce como se fosse o da própria vó. Era assim, segundo os delegados que trabalharam na investigação, que a mulher se referia à vítima. “Vovó, vozinha”, detalhou a delegada Crhistiane Grossi, da 7ª Delegacia de Polícia.

Ela chegou à delegacia nesta segunda-feira (25) por volta das 14h, depois de ser chamada para ajudar nas investigações sobre o desaparecimento de Dirce. Foram horas de conversa e histórias desencontradas da última vez em que viu a idosa, no sábado (23).

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Pâmela ainda era ouvida e tentava explicar onde havia deixado à idosa quando a notícia do achado do corpo chegou à delegacia. “Em um primeiro momento falaram que o corpo era de um homem. No local, antes mesmo da chegada da perícia, percebemos que a vítima tinha um pezinho, que as roupas eram femininas e achamos fios de cabelo branco”, lembrou Grossi.

Fotos desses detalhes foram enviados ao delegado Carlos Delano, da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios), que interrogava Pâmela. “Quando recebi as fotos ampliei no celular e pedi para um dos investigadores mostrar para os vizinhos, para ver se eles reconheciam. Nesse momento ela simulou um choro e falou: aconteceu alguma coisa com a vovó?”.

Outros detalhes também chamaram atenção. O celular de Pâmela, entregue por ela mesma ao delegado, continha poucas ligações e mensagens, prova de que era “novo” e o carro estava extremamente limpo. “Ela trocou o chip. Para o carro inventou que era motorista de aplicativo e por isso ele sempre estava limpo, mas constatamos que ela estava com a CNH suspensa”.

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A confissão do crime veio horas depois, já por volta das 21 horas, após as equipes conseguirem desmentir cada história investida por ela. “Ela tem traços de psicopatia. Durante todo o depoimento, e até na hora que confessou o crime manteve o mesmo tom de voz, a mesma expressão”, detalhou o delegado Dmitri Erik Palermo.
Depois de confessar o crime, Pâmela ainda contou ainda contou ter conhecido Drice em um posto de saúde, em julho do ano passado. Ao longo dos meses a relação de “amizade” foi se estreitando e sempre que a idoso tinha problemas, contava com a ajuda de mulher. “Ela era a filha que a vítima não tinha”.

Com acesso liberado a vítima, furtou cartões e passou a fazer comprar em lojas de departamento em nome da vítima. Foi esse motivo, segundo ela, que causou a briga que resultou no assassinato de Dirce. “A todo o momento ela tenta mostrar que tudo que fazia pela vítima era por carinho, e não pelo golpe”, reforçou Grossi.

O assassinato – Antes de confessar o crime, Pâmela alegou que a dívida feita em nome da idosa causou uma discussão entre elas e que depois de ser agredida por Dirce resolveu levá-la para passear em uma pracinha de Terenos. No entanto, a vítima tentou descer do carro em movimento, mas caiu, bateu a cabeça e morreu.

Pouco depois confessou que após a briga Dirce tentou sair do carro em movimento, mas caiu. Nervosa, ela também desceu do veículo, segurou a idosa pelo cabelo e bateu a cabeça dela várias vezes contra o meio-fio.

Pâmela não só detalhou o assassinato, como afirmou que ao perceber o que tinha feito, arrastou o corpo para debaixo de uma árvore para tirar a vítima do sol. “O que ela fez por desumano”, defendeu a delegada. A mulher passou nesta manhã por audiência de custódia e permanece presa de forma preventiva. Agora responde por homicídio qualificado por meio cruel e ocultação de cadáver.

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