Aos 68 anos intitulado Mestre dos Saberes pelo Ministério da Cultura, o poeta e escritor Benedito C. G. Lima, ou "Bené" para os mais íntimos, tornou-se uma referência cultural e literária da cidade de Corumbá.

Unico poeta negro de Mato Grosso do Sul presente em mais de 40 coletâneas, Benedito também leva na bagagem os títulos de contador de histórias e ativista cultural. Foi apresentador das primeiras edições do Café Literário no SESC de Corumbá. Além disso, é responsável, junto ao pintor Jamil Canavarros, do projeto “Passa na Praça /Que a Arte te Abraça” que completa uma década de efetividade na cidade. 

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A longa trajetória cultural provém ainda de sua juventude, enquanto aluno da Escola Estadual Maria Leite de Barros. Foi nos doutos de 1969 que, incentivados pela diretora da instituição, Magali de Souza Baruki, os alunos passaram a escrever poesias e inclusive integraram um Concurso Interno de Trovas no qual apareceram nomes como Nilton Grey Otto Lins, Eucliades Añez, André de Pinho Sobrinho, João Barbosa Jr., Jair Elias Gibaile, Luiz Carlos Crristovão da Silva, dentre outros outros.

Os anseios daqueles jovens poetas não se restringiu ao verão de 69, e logo buscaram se reunir para amadurecem a ideia de criação de um grupo voltado à propagação da arte poética em Corumbá.

Já em 1972, os estudantes passaram se reunir na residência do compositor Luiz Cambará, dando origem a Escola Poética Castro Alves, nome em homenagem ao poeta baiano autor de o "Navio negreiro".

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Mas não se satisfaziam aqueles jovens bardos - desejam que a comunidade além dos muros da escola acolhessem a ideia. Por isso, logo tornaram o nome do grupo mais simples: PEC - Poetas Estudantis de Corumbá.

Mais tarde, em nova reunião do grupo, onde compareceram outros nomes memoráveis como Jair Elias Gibaile, Wilson Gomes Maria, Marluci Brasil de Castro, Luiz Carlos Cristovão da Silva, André de Pinho Sobrinho, Rubens Galharte, Beatriz Rosalia Gomes Xavier, e outros simpatizantes da cultura regional, tornaram-se o grupo ALEC-  Arte Literária Estudantil de Corumbá.

45 anos de arte tem o grupo ALEC. Em quatro décadas, todavia, perceberam uma estranha decadência dos incentivos culturais na cidade. "Eram outros tempos", afirmou o poeta ao nosso Correio. Se Corumbá, há décadas, possuiu mais de 5 cinemas em funcionamento, salões de teatro, ateliês, e sobretudo, uma comunidade envolvida na Cultura e incentivada financeiramente pelo empresariado para propagação da arte regional, hoje as coisas estão nubladas. 

Eram outros tempos! Se antigamente investia-se na cultura da cidade, hoje aqui no Pantanal, como em todo Brasil, a Literatura é a que mais sofre. Para os políticos é sempre mais viável patrocinar jogo de camisetas para times esportivos, onde o nome destes ficam estampados e circulando em todos os lugares, do que patrocinar livros, os quais ficarão fechados nas estantes. Antigamente, durante minha juventude, eu vivi uma Corumbá movimentada pelas artes, repleta de cinemas e eventos culturais. Hoje é mais difícil, e quem deseja se enveredar pelo ramo acaba tendo que investir do próprio bolso. Mas o grupo ALEC prossegue, incentivando novos talentos.

Benedito C. G. Lima, escritor e poeta

Festival América do sul com estampa pantaneira

A edição deste ano de 2018 para o Festival América do Sul agradou sobretudo a comunidade regional, corumbaense e ladarense, pela maior abertura da programação ao povo pantaneiro.

Reincorporando raízes com eventos dirigidos ao debate sobre patrimônio histórico e cultural, economia criativa, artes de rua, etc, o festival trará oficinas que serão realizadas nas escolas da rede pública, integrando e incetivando a comunidade estudandil à cultura. Além disso, divulgará o resultado final do concurso de desenho, poesia e vídeo “Soy Loco Por Ti, América”.

Além disso, privelegiará os artistas da terra, sobretudo os literários como Benedito C. G. Lima que se apresentará no Quebra Torto com Letras, um espaço cativo já no FASP dedicado à degustação da culinária tipicamente pantaneira e a reunião de escritores.

O Quebra Torto que ocorrerá no Instituto Moinho Cultural, receberá oito convidados: os corumbaenses Benedito CG Lima e Henrique Medeiros, os campo-grandenses Rubênio Marcelo e André Luiz Alvez, o sociólogo boliviano Marcelo Sarzuri, o jornalista e poeta paraguaio Mário Rubén Alvarez e os esperados Sérgio Vaz –poeta e produtor cultural, fundador da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa) e criador do famoso Sarau da Cooperifa, no Jardim Guarujá, em São Paulo– e o escritor João Meirelles Filho, ganhador do Prêmio Sesc de Literatura em 2017 e referência em estudos da Amazônia.

Bené está ansioso pela edição, na qual relançará a antologia poética "Florilégio da Esperança". e comemorará os dez anos do projeto 'Passa na Praça que a Arte te Abraça', além de lançar a seletiva para uma antologia poética.

É essencial que haja maior abertura do festival para escritores e poetas da terra. A Cultura em Corumbá não deve se restringir somente ao Carnaval e ao São João. Temos grandes nomes na cidade que precisam de espaço para apreciação do público e para incentivar, sobretudo, a nossa juventude.

Benedito C. G. Lima

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