O antigo prédio da alfândega de Corumbá, construído nos anos 60 ao lado do cais do Porto Geral na rua Domingos Sahib, e que hoje acolhe a unidade III do Campus Pantanal da UFMS, está sendo requerido pela delegacia da Polícia Federal de Corumbá.

A briga, que pelo visto não vai terminar tão cedo, envolve dois órgãos federais importantes. Por um lado, a UFMS que utiliza o prédio para sua pós-graduação e laboratórios de pesquisa. Do outro, a Polícia Federal, que atualmente está alocada em um pequeno prédio na rua 13 de junho, alega necessitar de um espaço maior para operar na cidade e que o prédio era originalmente de responsabilidade do órgão. A Polícia Federal argumenta ainda que o prédio é pouco utilizado pela universidade.

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Para um transeunte mais leigo, a Unidade III do Campus Pantanal parece ser, de fato, pouco frequentada em comparação às outras duas unidades que acolhem os cursos de graduação. Todavia, deve-se compreender que uma universidade não vive somente das aulas da graduação – a universidade é centrada na pesquisa científica, e esta é desenvolvida por um número menor de componentes, porém vitais para o desenvolvimento da vida acadêmica.

O prédio da antiga alfândega foi reformado pelo Governo Federal e doado à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), inaugurado em 14 de dezembro de 2012. A restauração foi orçada em R$ 3,4 milhões. Outros R$ 1,3 milhão foram aplicados na compra de equipamentos necessários ao funcionamento da Pós-graduação em Estudos Fronteiriços e Educação.

Os Mestrado de Estudos Fronteiriços (PPGEF) e o Mestrado em Educação (PPGE) atendem alunos desde 2008. No ano passado, das nove dissertações defendidas no PPGEF, quatro tinham impacto direto no município de Corumbá, com temáticas cujos resultados tinham grande aplicabilidade na cidade como o estudo sobre os efeitos dos impactos ambientais em populações riberinhas, a viabilidade de implantação de cursos técnicos que atendessem bolivianos residentes na cidade, possibilidade de desenvolvimento de turismo de guerra, estudos sobre a saúde mental de usuários de entorpecentes, dentre as tantas outras dissertações defendidas nos anos anteriores.  

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O Mestrado em Educação tem trabalhos realizados junto ao CREIA – Centro de Referência e Estudos da Infância e Adolescência, sendo dos poucos programas no Brasil a trabalhar com Educação Social. O programa ainda conta com o Dinter, projeto que viabiliza o doutorado de professores no campus de outra instituição, no caso de professores do Campus Pantanal estudando na PUC-RJ.

A Unidade III também conta com laboratórios como o de Arqueologia que é, consensualmente, um dos mais completos da universidade. Ali são conduzidas pesquisas que remontam o passado arqueológico e etnohistórico do Pantanal. Em 2012, o projeto “Arqueologia e Etno-história da Lagoa do Castelo e da Lagoa Vermelha, Pantanal, Brasil”, sob a coordenação do Prof. Dr. José Luís S. Peixoto, foi um dos poucos aprovados em toda UFMS pelo  Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O laboratório conta também com financiamento do Fundect e com a participação de professores, acadêmicos do PIBIC e bolsista de Auxílio Técnico. Uma demonstração da relevância da pesquisa conduzida no espaço. 

Já o Laboratório de Estudos Fronteiriços, sob coordenação dos professores Dr. Marco Aurélio Machado de Oliveira e Dr. Edgar Aparecido da Costa,  é responsável por realizações de Feiras de Ciências Fronteiriças desde 2009, ininterruptamente.

O Laboratório de Documentação Histórica e Estudos Regionais, sob coordenação da professora Dra. Nathalia Monseff, cataloga e analisa materiaIs do Arquivo Tribunal de Justiça e jornais antigos da cidade de Corumbá, desenvolvendo estudos pertinentes ao passado local e seus impactos no nosso presente histórico.

Outros laboratórios como o LaPES – Laboratório de Pesquisa em Educação Social, o CREIA- Centro de Referência de Estudos da Infância e Adolescência, também operam a todo vapor na Unidade III.

A possível retirada do prédio para atender as demandas da Polícia Federal irá ferir toda a estrutura da pesquisa desenvolvida no Campus Pantanal, logo que todos os pesquisadores serão obrigados a articular novas dinâmicas para o tratamento de seus respectivos materiais, além da necessidade de alocar alunos e professores dos programas de pós-graduação em um novo espaço. Conforme diálogos não oficiais, é possível que haja uma "troca" entre os prédios, de modo que a UFMS ocuparia o antigo espaço da Polícia Federal na Rua 13 de junho. 

As informações aqui veiculadas são de caráter alarmante. Este artigo de opinião enfatiza a questão de que a comunidade acadêmica, não somente a relativa à pós-graduação, mas a que tange também aos cursos de graduação do Campus Pantanal, deve se unir e debater em audiência pública os rumos da universidade que é um bem público - e logo, deve ser compreendida como de responsabilidade de todos, da opinião de todos, e não somente de seus dirigentes administrativos.  

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