Jeferson tornou-se professor para ajudar sua comunidade a desenvolver-se. / Imagem: Fábio Marchi

Corumbá - A quebra de uma rotina pode transformar a vida das pessoas - foi o caso de Jeferson Esdra de Arruda (35), conhecido pelo apelido de "Coca", em sua comunidade que possui cerca de 17 famílias e aproximadamente 60 pessoas. 

Jeferson nasceu e cresceu na região denominada Corixão, no Taquari - em pleno Pantanal Sul-Matogrossense - uma área de difícil acesso por conta dos leitos de água estreitos e rasos ( só passam embarcações de pequeno porte ) na região mais devastada pelo assoreamento do Rio Taquari, um dos maiores desastres ambientais provocados pelo homem, na história moderna brasileira.

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O pequeno Jeferson estudou até a 1ª série na região do Taquari e depois disso foi até Corumbá para concluir seus estudos. Depois de algum tempo ele retornou, serviu o Exército e quando deu baixa do serviço militar começou a trabalhar nas embarcações da região. Então um dia ele conheceu o Programa Social "Povo das Águas" - uma ação mantida pela Prefeitura de Corumbá desde 2009 que visa levar atendimento médico, odontológico, assistência social e recursos para as comunidades ribeirinhas do Pantanal - e foi exatamente aí, que ele tomou uma decisão que mudaria toda sua vida, ao encantar-se com as atividades que levavam melhorias na qualidade de vida do seu povo: ele estudaria e conseguiria trabalhar na sua região como agente comunitário de Saúde da Prefeitura.

E assim foi. Logo ele começou a viajar e trabalhar com a equipe do Programa e começou a perceber uma certa dificuldade em localizarem as pessoas da comunidade ribeirinha:

Segundo Jeferson, essa situação indesejada causava muitos transtornos para os moradores da região:

Essa observação coincidiu quando Jeferson decidiu que seria um educador, em sua comunidade:

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O professor não pretende sair de sua comunidade - segundo Jeferson, ela precisa dele por ali. / Imagem: Fábio Marchi

Um acontecimento na época reforçou essa decisão de Jeferson:

Sendo assim, Jeferson começou a realizar o trabalho de mapear a localização de cada família desde a saída de Corumbá até a sua região:

Um pedaço do mapa que Jeferson desenvolveu, destruído pelas interpéries no Pantanal. Trabalho ajuda a salvar vidas. / Imagem: Fábio Marchi

Segundo o educador, não foi uma tarefa fácil - ainda que todos os moradores tenham apoiado o projeto de Jeferson desde o início.

E o projeto de Jeferson não parou por aí. Ele passou a confeccionar carteirinhas de identificação com dados importantes como RG, CPF, número do SUS e as coordenadas geográficas da residência de cada morador da região:

"Carteirinha" ajuda a identificar e a localizar os moradores da região. / Imagem: Fábio Marchi

Não é um documento oficial, mas ajuda muito na hora de uma emergência ou no transporte das pessoas.

De acordo com Jeferson, a "Carteirinha do Ribeirinho" já está ajudando a salvar vidas.

As coordenadas geográficas da moradia do ribeirinho estão presentes na "carteirinha", o que ajuda muito na hora de realizar um resgate, por exemplo. / Imagem: Fábio Marchi

O carinho e a preocupação de Jeferson com sua comunidade rendeu frutos: pelo seu projeto, em 2016 Jeferson recebeu o prêmio de "Professor Inovador", como o melhor projeto do Município:
 

Jeferson é casado e tem um filho de 12 anos que está na 7ª série. Sua esposa é merendeira na escola da comunidade - e eles não tem planos de um dia deixarem sua região:

Jeferson é o segundo professor que a comunidade do Corixão fez florescer. Segundo o educador, o primeiro professor nascido na região é o Caetano Ribeiro de Arruda - que hoje encontra-se aposentado, mas continua dando aulas para as crianças locais. Essa aliás é uma atual frustração de Jeferson:

Sobre o apelido “Coca”, Jeferson ri:

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