A história do Negro no Mato Grosso do Sul possui capítulos por tempos desconhecidos e ignorados pelos historiadores. Todavia, as recentes pesquisas vêm elucidando registros que demonstram uma origem escravagista na região em decorrência do desenvolvimento do sul do Mato Grosso, até a criação do atual estado do Mato Grosso do Sul.

A vinda dos negros como mão de obra escrava iniciou por volta de 1540, com as expedições do espanhol Cabeza de Vaca. O fluxo escravista teve sua continuidade no ano de 1600, com os Bandeirantes, em suas comitivas, e com a chegada dos fazendeiros desbravadores de terras das regiões ao norte de Mato Grosso, São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e vários outros estados.

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Foram estabelecendo suas posses, derrubando matas, plantando, criando gado, e engenhos erguidos à custa do trabalho escravo de descendentes africanos.

Essa é uma história pouco conhecida do nosso estado pantaneiro, e justamente por isso, o Museu de História do Pantanal (MUHPAN) irá inaugurar na próxima semana, dia 05 (quinta-feira), uma sala dedicada a Memória do Negro no Pantanal chamada "Braços Cativos no Espaço Urbano e Rural de Corumbá". 

O Muhpan, para quem não conhece, é um belo museu instalado no coração do pantanal, Corumbá/MS, em um dos casarios tombados do Porto Geral, bem em frente ao Rio Paraguai.
 

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Desde a fundação do MUHPAN em 2008, foi-se questionado a ausência de uma sala dedicada a história do negro na região pantaneira em seu circuito educativo. Após longos estudos, finalmente, as demandas foram atendidas, e agora a população terá acesso a essa importante, e por vezes dolorosa, memória que integra a identidade do povo pantaneiro.

A readequação do circuito educativo do MUHPAN conta com o patrocínio do programa Caixa de Apoio ao Patrimônio Cultural Brasileiro da Caixa Federal que desde o final de fevereiro de 2017, tem se dedicado a investir da melhor forma possível nas  adequações previstas (placas, sinalizações, suportes com textos, equipamentos). 

A responsabilidade da pesquisa ficou à cargo da historiadora e professora da UFMS-CPAN, Elaine Aparecida Cancian de Almeida, autora do livro  "A cidade e o rio: escravidão, arquitetura urbana e a invenção da beleza - o caso de Corumbá (MS)", quem acompanhou e forneceu todo o material histórico para criação do espaço.

A criação expográfica foi realizada  pela  Via Impressa Design Gráfico e Edições de Arte, especialista  em linguagem museal e executadas pela Arquiteta Ana Paula Badari. Já a coordenação do projeto ficou a cargo da historiadora Ketylen Karine Santos.

O Projeto

O Projeto "ADEQUAÇÃO EXPOGRÁFICA DO MUSEU DE HISTÓRIA DO PANTANAL"  foi selecionado de acordo com o previsto no Regulamento do Programa CAIXA de Apoio ao Patrimônio Cultural Brasileiro – 2017/2018.

O programa tem por objeto a seleção de projetos de entidades museais que visem assegurar a democratização do acesso e a preservação do patrimônio cultural brasileiro.

O processo de seleção é bienal e contempla projetos de funcionamento de instituições museológicas, tais como programas pedagógicos (ações de arte-educação, oficinas, palestras, cursos, visitas mediadas), programação de mostras de seu acervo permanente e mostras temporárias, preservação de museus, dentre outros.

A Fundação Barbosa Rodrigues e o Museu de História do Pantanal

Há mais de três décadas (36 anos), a Fundação Barbosa Rodrigues, instituição privada sem fins lucrativos e com foco em projetos de inclusão social, nasceu de um ideal e de uma causa em favor da melhoria da qualidade de vida e da promoção da cidadania através da educação, da cultura e da inserção de cada um na sua própria história.

No ano 2000, o Ministério da Cultura entendeu que a região do Pantanal, decretada pela UNESCO como Reserva da Biosfera, apresentava especificidades notáveis no processo de ocupação humana que mereciam sediar um Museu que também pudesse servir de chamariz para o Turismo ecológico e cultural da região e contratou para elaborar a parte conceitual do Museu, o Arqueólogo Prof. Dr. Carlos Etchevarne. A iniciativa da criação do Museu de História do Pantanal, na cidade de Corumbá, deve ser entendida como o resultado de uma convergência propícia de interesses nacionais e locais.

Em 2002, na época com vinte anos de existência dedicados a Memória do Mato Grosso do Sul, a Fundação Barbosa Rodrigues foi convidada a apresentar o Projeto ao Ministério da Cultura em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente de Corumbá. No ano de 2003 as parcerias começaram a ser concretizadas, mas somente em 2004 o Projeto consegue a chancela do MINC através da Lei Rouanet – PRONAC 04.4674 e os recursos foram captados entre a Petrobras e Votorantim.

Após quatro anos, divididos em várias frentes como restauro do edifício,  implantação museográfica, captação de acervos, entre outros árduos trabalhos, o MUHPAN abre suas portas para o público em agosto de 2008 e, desde então, vem atendendo, gratuitamente, sob a forma de exposições permanentes e temporárias, ação educativa intensa com oficinas lúdicas, visitas orientadas e ou animadas, museaulas, sala de cinema e documentários.

Com instalações modernas, projetadas para atender o mais variado público, em especial, os portadores de deficiência de locomoção, o museu é referência no estado tanto na sua estrutura física quanto nas ações educativas, que procura seduzir e cativar seus visitantes.

O MUHPAN  atendeu de agosto de 2008 a dezembro 2017  ==  69.267 visitantes, sendo da Comunidade Local: 36.501 e de outras Localidades: 32.766

A inaguração irá ocorrer na próxima quinta-feira (06), às 16h00. Para os estudantes serão emitidos uma declaração de 6h pela participação do evento.

Todas as atividades são gratuitas.

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