Considerada pelo Ministério do Turismo um dos cinco principais destinos de festejos juninos do Brasil, Corumbá, a Capital do Pantanal, não foi incluída no roteiro das cidades mais festeiras pelo próprio Mtur, por meio de sua campanha de divulgação nos meios de comunicação.

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Uma nota publicada no site do ministério, focando o giro financeiro e os empregos gerados pela festança junina, não cita o Banho de São João Pantaneiro, único pela manifestação de batizar o santo no Rio Paraguai. A importância cultural do evento não foi levada em conta.

O Calendário Nacional de Eventos do Mtur catalogou 103 festas para celebrar São João, Santo Antônio e São Pedro. O “banho” de Corumbá está lá, contudo foi relegada a segundo plano, com o ministério dando ênfase aos festejos no Nordeste, Minas Gerais e Pará.

No ano passado, o Mtur colocou o São João Pantaneiro nas vitrines, difundindo seu sincretismo religioso pelo mundo. Mas em 2019, simplesmente ignorou uma festa que está em processo de ser tombada como patrimônio nacional.

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A falta de divulgação do evento, cujo ponto alto ocorre na noite do dia 23 para 24 de junho, quando uma centena de andores desce a Ladeira Cunha e Cruz para banhar a imagem do santo, é uma falha também da própria prefeitura de Corumbá.

Somente nesta semana o município vai lançar a festa e divulgar sua programação, quando os demais destinos dessa manifestação estão em todas as mídias captando turistas há pelo menos dois meses. A divulgação da prefeitura centraliza-se em prazos para inscrição dos andores.

A má gestão do turismo em Corumbá reflete as oportunidades perdidas para difundir uma das maiores festas juninas do país. Não existe um trabalho de mídia para nenhum evento da cidade, que deixa de fomentar o turismo religioso e movimentar a cadeia produtiva local.

Com a Capital do Pantanal não figurando no mapa dos grandes festejos juninos, certamente não foi contemplada com os recursos destinados pelo Mtur, que anunciou investimentos de R$ 4 milhões em destinos que estão se consolidando como um produto turístico originalmente brasileiro.

Comunicado do Mtur

A redação de LUGARES recebeu a seguinte nota do Ministério do Turismo: “A reportagem “Festas juninas movimentam turismo local e geram empregos para as comunidades” é a primeira de muitas que ainda estão previstas para serem divulgadas na Agência de Notícias do Ministério do Turismo ao longo de junho e julho, período dos festejos juninos pelo país. O Banho de São João Pantaneiro, assim como já entrou em diversas outras publicações de comunicação do MTur, está entre as festas que ainda será divulgada pela Agência de Notícias.

O festejo, inclusive, foi tema de press trip, realizada em junho de 2017, pela Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo. Na ocasião, foi realizada uma cobertura completa da festividade na região que rendeu reportagem especial com fotos e personagens locais. O Ministério do Turismo reconhece a notória importância cultural e histórica que a festividade possui no cenário nacional e na região Centro-Oeste, além da representação que a mesma tem na diversidade cultural dos festejos de São João no Brasil.

Por último, cabe acrescentar que o Calendário Nacional de Eventos do Ministério do Turismo tem como objetivo divulgar os eventos turísticos brasileiros e agregar valor à imagem dos destinos, além de fornecer informações de qualidade sobre a oferta turística do Brasil que possam ser úteis ao turista no momento de planejar suas viagens. Para este ano, o Calendário já possui 2.957 eventos cadastrados, sendo 118 festejos juninos registrados pelas secretarias estaduais e municipais até o momento. A festa Banho de São João Pantaneiro está contemplada no Mapa de Festejos Juninos de 2019, assim como esteve nos últimos anos. Confira o Calendário de Eventos 2019.”

Uma festa singular

Corumbá se prepara para celebrar o famoso “banho” de São João, manifestação secular que ocorre na noite do dia 23 e se estende pela madrugada do 24 de junho, com a descida dos andores com a imagem do santo para o batismo no Rio Paraguai.

Se São João soubesse

Que hoje era seu dia
Descia do céu a terra
Com prazer e alegria

A tradicional festa foi tombada pelo Estado como patrimônio imaterial e aguarda reconhecimento nacional como Patrimônio Cultural Imaterial.

Os festejos juninos se espalham pelo país com fortes ingredientes das culturas locais que misturam o profano e o sagrado e atraem milhares de pessoas, movimentando as cidades nos meses de junho e julho.

O reconhecimento do Banho de São João como festejo junino gerador de fluxo turístico e apelo popular, pelo Ministério do Turismo, no ano passado, não garantir maior visibilidade em 2019 a uma das maiores festas populares do Brasil.

Nesse vácuo, o ex-prefeito Ruiter Cunha, falecido em novembro de 2018, pretendia transformar o São João em um produto turístico capaz de gerar fluxo de visitantes nacionais e estrangeiros e atrair patrocinadores.

Fé e crença no santo

Com a aproximação da celebração em todas as comunidades, Corumbá, localizada no Pantanal de Mato Grosso do Sul, é festa, é crença, é devoção, é tradição. Um dos pontos altos é a Lavagem do santo, nas águas do Rio Paraguai, dia em que os festeiros descem a ladeira Cunha e Cruz.

Os festeiros, que são mais de 100, também abrem suas casas para a festa do Arraial do Banho de São João. Os festejos se iniciam no dia 21 de junho, mas as casas de rezas se preparam o ano todo para o “banho”, onde paga-se promessas por uma graça alcançada – fé que perpetua o ritual.

Deus te salve João

Batista sagrado

O teu nascimento

Nos tem alegrado

O São João Pantaneiro envolve toda a cidade e chegou a ser proibido pela igreja, em meados do século passado, provavelmente pela sua característica sacro profano, onde hoje se unem catolicismo, candomblé e umbanda.

Na descida dos andores, misturam-se o canto da ladainha e o batuque em ritmo de frevo, onde os fiéis dançam e se agitam segurança a vela acesa na mão, acompanhados por uma banda de sopro. Este é o diferencial da festa corumbaense dos demais arraiais pelo País.

No dia 23, não existe ordem de descida dos andores, que se cruzam na Ladeira Cunha e Cruz, no habitual cumprimento. As pessoas vão ao encontro dos adereços, passando por baixo do andor cumprindo promessa ou em busca de uma causa, geralmente por doença.

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