Aos 19 anos, a universitária de Direito, Bruna Souza Arruda já acumula uma boa trajetória literária. Integrante dos livros Poetas do Café Literário (2015) e Florilégio da Esperança(2017), a jovem escritora recebeu em 2017 uma Moção de Congratulação por seus feitos poéticos. Também foi responsável pelo evento "Uma noite de Utopia" [Sarau Cultural] em 2016, e neste ano de 2018, lançou um livro intimista sobre os percalços de sua ansiedade, chamado “Um texto meu” (Ed. Fontenele Publicações). 

Comecei a escrever quando tinha uns 8 à 9 anos, terminando o fundamental I e iniciando o II. Eu passava muito tempo na internet, principalmente, lendo alguns livros ou vendo textos em blogs. Apesar de muitas incertezas na vida, a única coisa que eu tinha sempre certeza que escrever me fazia bem e, também me divertia fazendo aquilo.

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Bruna Souza Arruda, escritora

A escrita como um investimento profissional, no Brasil, ainda enfrenta inúmeros obstáculos. Escrever em um país onde não há incentivo à leitura se torna um desafio para os novos autores, principalmente se levarmos em consideração o número de livros lidos por ano. O hábito de leitura do brasileiro é relativamente baixo comparado a outros países do mundo: enquanto no Brasil a média de livros lidos fica torno de quatro, em países desenvolvidos esse número chega a dez.

A despeito desta realidade, o mercado editorial tem se expandido nos últimos anos, sobretudo através de nomes jovens que vem sido impulsionados pelas mídias virtuais. Se a internet nos serve como termomêtro de demasiada "imbecialidade" no quesito informação, ela também é responsável pela aproximação maior entre escritor e leitor. Com o uso intenso das redes sociais, o caminho da aproximação e do reconhecimento ficou mais fácil, e deste modo os autores que interagem com seus leitores podem conhecer de perto suas opiniões. 

Para Bruna, o grande problema ao jovem escritor não é necessariamente o mercado editorial, mas a falta de credibilidade da sociedade brasileira no trabalho artístico e cultural.

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O mercado está mais aberto, tanto que foi muito “fácil” publicar esse livro. O problema mesmo é a falta de investimento das outras pessoas e da valorização como um trabalho, muita gente não vê ainda as artes como um trabalho e é preciso que os mais “adultos” levem seriedade, porque é um trabalho de foco; muito investimento de tempo e de dinheiro também.

Bruna Souza Arruda, escritora

A prosa intimista que caracteriza o livro de Bruna, "Um texto Meu", é uma tendência literária explorada sobretudo pelos escritores modernistas, ainda que seja notório sua existência em outras escolas literárias, por exemplo, no simbolismo. No Brasil, muitos escritores modernos adotaram a literatura intimista seja na prosa ou na poesia. É mister dizer que na literatura intimista produzida no Brasil, merecem destaque as escritoras modernistas Clarice Lispector e Cecília Meireles, sendo a primeira um referencial a jovem corumbaense.

Não me prendo a uma forma de escrita, porque me diferencio cada vez que escrevo. Porém, me identifico muito com a escrita intimista; quanto a autores, gosto muito da Bruna Vieira e Clarice Lispector e, acabo me identificando com muitos escritos.

Bruna Souza Arruda

Para Bruna, a cidade de Corumbá está no caminho certo da cultura literária, e ela pretende impulsionar cada vez mais esta arte na cidade. Conforme a autora, a cultura local é muito incentivada, porém ao mesmo tempo esquecida por muitos: a população precisa se re-erguer e se interessar também.

Corumbá tem muitas figuras artísticas como o Benedito C.G. Lima, que lutam diariamente pela conquista maior do terreno da literatura. A nossa cultura é tão gigantesca que notei isso em um evento que fiz em 2016, mais de 10 contribuições locais e mais de 200 pessoas passaram por lá.

Bruna Souza Arruda
Trecho do livro "Um Texto Meu" (Ed. Fontonelle Publicações) de Bruna Souza Arruda. / Imagem: Instagram

As maiores dificuldades de escrever 'Um Texto Meu" foram o medo de ser julgada e o medo de não comprarem. Eis que muitos não valorizam o trabalho do outro, e, é um trabalho muito difícil de ter que repassar tudo o que está na sua cabeça e no coração. Mas espero que como vocês gostem do respeito para com o seu trabalho, possam carregar isso no trabalho dos outros, cada vez mais mostrando empatia com o próximo, e, que minha escrita possa ajudar de alguma forma, sobretudo em incentivar a arte do próximo.

Bruna Souza Arruda

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