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Localizada às margens do Rio Paraguai, na divisa com a Bolívia, a cidade de Corumbá é um exemplo de riqueza histórica. Esta riqueza é bem simbolizada dentro do Museu de História do Pantanal, localizado na Rua Manuel Cavassa, no Porto Geral, com entrada gratuita nas tardes das terças aos sábados.

O museu de História do Pantanal, o Muhpan, foi inaugurado em 12 de agosto de 2008 após a complexa recuperação e revitalização do prédio que o abriga, o histórico casario Wanderley & Baís. Sendo o maior prédio do conjunto do Casario do Porto, o W&B foi importante centro comercial de Corumbá, passando por uma exportadora (Firmo de Mattos), agência bancária (foi a 14ª do Banco do Brasil), até ser uma das sedes da Noroeste Brasil, ferrovia do famoso Trem do Pantanal.

A Casa Wanderley & Baís, uma das casas comerciais mais ricas da cidade no início do século XX, antes da restauração.

Quem entra no MUHPAN se emociona: a recuperação do prédio é realmente fantástica. Após o término da NOB, o W&b ficou abandonando e posteriormente ocupado por diversas famílias tornando-se uma espécie de cortiço do porto. Chegou de ser uma sorveteria e até uma lan house, tudo de modo informal.

Poucos poderiam imaginar que aquele prédio “velho” e “bastante encardido” guardava pisos com azulejos hidráulicos portugueses, escadas ornamentadas vindas da Inglaterra e um grandioso mapa, escondido sob a tinta, desenhado em 1942, para ilustrar o trecho ferroviário de Bauru à Santa Cruz. Tudo isto permaneceu sob forte deterioração durante anos - e ainda permaneceria se não fosse o Projeto de Preservação do Patrimônio Histórico desenvolvido em Corumbá na década de 90 e em vigor até os dias atuais.

Mapa da Ferrovia Noroeste Brasil (NOB) desenhado em 1942 no prédio do atual Museu de História do Pantanal (MUHPAN) em Corumbá. / Imagem: Divulgação

A primeira coordenação nos levantamentos cadastrais, métricos e arquitetônicos da casa ocorreu de novembro de 1989 à março de 1991. Foi nesse primeiro levantamento que o mapa da Comissão Mista Ferroviária Brasil-Bolívia foi descoberto sob a camada de tinta e que viria uma década mais tarde ser totalmente restaurado pela arquiteta Perla Larsen.

No mesmo ano, o ante-projeto da restauração do prédio foi elaborado sob a direção do arquiteto José Roberto Gallo em convênio com a gestão de Fadah Gatass e a fundação de cultura do Estado. Infelizmente, a restauração inicial foi desconfigurada anos mais tarde, vindo apenas a tornar a dar brilho ao espaço com a criação do Muhpan em 2006.

Sala dos Dez Pantanais

O Muhpan pretende contar a História de aproximadamente oito mil e duzentos anos da ocupação humana no Pantanal. Conforme discurso oficial, a Instituição, o Muhpan retrata a identidade pantaneira e funciona como um organismo vivo da história. Por meio do aparato montado para o funcionamento desse espaço, os temas são apresentados com base na ludicidade e interação. O circuito expositivo é definido pelo próprio Museu como não linear. É composto por uma exposição principal, dividida em vinte e dois temas. No térreo, o hall principal possui dois ambientes, o primeiro é destinado à recepção ao público, e o segundo abriga diferentes exposições de curta duração.

Ao atravessar as portas do Museu, antes de passar pelas salas do hall principal, no lado direito localiza-se a primeira sala expositiva: (1) Imersão; em seguida: (2) Dez Pantanais. No segundo piso, encontram-se as exposições: (3) Arqueologia; (4) Etnologia; (5) Encontro entre Civilizações; (6) Conquista Espanhola; (7) Missões; (8) Conquista Portuguesa; (9) Monções; (10) Tratados; (11) Cidades e Fortes; (12) Pintura Corporal Bororo; (13) Trem do Pantanal.

No terceiro piso estão situadas as exposições: (14) Primeiras Fazendas; (15) Guerra contra o Paraguai; (16) Pioneiros; (17) Comissão Rondon; (18) Porto de Corumbá; (19) Imigração; (20) Fazendas e Pecuária; (21) Ladrilhos Hidráulicos; e (22) Olhares sobre o Pantanal. Recentemente foi inaugurado no terceiro piso uma sala dedicada a Memória do Negro no Pantanal chamada “Braços Cativos no Espaço Urbano e Rural de Corumbá” (23).


Logo após o fim do circuito expositivo há uma sala, localizada no 2º andar, destinada ao exercício de criação e reflexão pós-visita. Neste espaço existem diversos materiais resultantes de outras atividades e oficinas. O Museu também possui um auditório - local em que também podem ocorrer as museaulas - utilizado para a exibição de filmes (único recurso da população para este tipo de atividade cultural, pois a cidade não possui cinema), palestras, cursos e seminários destinados às escolas, comunidade, pesquisadores e turistas.


A idealização do Museu de História do Pantanal conta com generosas pitadas de ousadia, principalmente, pela aspiração em torná-lo um representante da história regional do Pantanal, um território de diferentes culturas e diversas histórias. O Museu, sem dúvida, transformou-se num importante vetor social, especialmente, para os cidadãos corumbaenses, pois permitiu que a sociedade se (re)aproximasse e atribuísse novos sentidos às tradições e à cultura da região do Pantanal.


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