Opinião

Agora é com o Reinaldo

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Logo no primeiro ano de mandato do Governador Reinaldo Azambuja, escrevi uma análise do seu primeiro ano de governo que vocês podem recordar novamente, aqui.

Um primeiro ano de mandato geralmente é marcado por uma “arrumação na casa”, com cortes de gastos e pessoal, além de ser repleto de limitações financeiras (porque o orçamento é definido pela administração anterior). Mas ainda assim, no primeiro ano do mandato de uma administração é possível identificar como será o perfil dessa nova fase de governo, porque essas características tendem a extrapolar para a imprensa. Um bom exemplo disso, é o caso de João Doria Júnior (PSDB), eleito recentemente para comandar a Prefeitura de São Paulo. Impossível não identificar o perfil de um administrador focado na melhoria da qualidade de vida como um todo, apagando pichações e fazendo parceiras com clínicas e hospitais para desafogar o sistema de saúde local.

Hoje já estamos em pleno terceiro ano de mandato - e não mudou muita coisa em relação à nossa análise inicial - talvez em parte pela estranha forma de fazer política, escolhida e adotada pelo grupo tucano: trazer inimigos para perto, afastar aliados.

Nós vimos o fracasso dessa estratégia acontecer em Campo Grande e Dourados e por muito pouco Corumbá quase também entrou nessa conta.

Ademais - independente de suas alianças políticas - Reinaldo ainda é um gestor focado na menina dos seus olhos chamada “Caravana da Saúde” - que passada a novidade inicial e um desafogamento no princípio, acabou não alterando a realidade diária do sistema de saúde em muitas cidades - em especial por conta da falta de investimentos públicos no setor, como um todo.

Porém, ainda que tenha conquistado uma boa quantidade de prefeituras pelo Estado, a quantidade de votos existentes nessas localidades é insuficiente para lhe garantir uma vitória tranquila em 2018 - caso dispute uma eventual reeleição - o que preocupa em muito, a tucanada.

Derrotado na Capital e no segundo colégio eleitoral do Estado, Dourados, Reinaldo precisa urgentemente (e em pouco tempo) mostrar que é um bom negócio ser parceiro do governo e investir nas cidades onde obteve excelentes vitórias como por exemplo Corumbá, a segunda maior arrecadação do Estado (e com fama de esquecida pelos Governos Estaduais) e Três Lagoas, importante pólo industrial de Mato Grosso do Sul.

De outro lado, Reinaldo ainda precisaria melhorar sua relação bastante desgastada entre produtores rurais, pecuaristas e empresários - provocada pelo tão sonhado alívio fiscal que invabiliza a competitividade sulmatogrossense em relação à outros estados players no mercado - e de quebra, melhorar a imagem de si mesmo, dentro da Capital - assombrada pela comparação entre ele e seu provável rival em 2018: André Pucinelli, cujas alianças supostamente já estão fortalecidas com os Trad.

A parte boa? Ainda há tempo.

Reinaldo pode aproveitar essa crise na Casa Civil - setor responsável por muitos erros políticos ao longos desses dois primeiros anos de gestão, privilegiando inimigos em detrimento de aliados - para convidar para sentar à mesa seus ex-aliados que debandaram para outros cantos, descontentes com medidas de gestão muitas vezes tomadas sem o conhecimento do próprio Governador.

Sua primeira grande Reforma Administrativa anunciada para a próxima semana pode enfim fazer justiça à fama que o Governador acumulou ao longo de sua carreira política de ser justo e reconhecedor de méritos - e trazer enfim uma brisa de ar fresco ao cenário político estadual e com ele, a esperança de sua reeleição.

Ele tem agora a chance de avaliar, reconhecer e corrigir os erros cometidos até o momento em sua gestão e dar um novo start, tudo zerado, nas mãos de um novo interlocutor.

Reinaldo ainda tem a chance de “passar a régua” - sem intermediários: se o Reinaldo vai, agora só depende dele.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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