Opinião

“Atirei no que vi, acertei no que não vi”

0 Comentários

A frase-título deste artigo é creditada por muitas vezes à Pedro Malasartes - personagem fictício comum à várias historinhas infantis recheadas de muita malandragem e enganação - que nesse caso, faz parte dessa pequena charada (alguém se lembra?) presente em uma dessas histórias:

“Saí de casa com massa e Pita
A Pita matou a massa
E a massa matou a Pita
Que também a sete matou
Atirei no que vi
E matei o que não vi
Foi com madeira santa
Que assei e comi
Um morto carregava os vivos
Bebi água, não do céu
O que não sabia a gente
Sabia um simples jumento
Decifre para seu tormento”.

Mas essa frase pode ser perfeitamente aplicada quando muitas vezes as pessoas - cegas pelo ódio e pela vingança desmedida - abraçam uma causa praticamente perdida, na vã tentativa de reverter o quadro, irreversível.

Essa cegueira é um erro muito comum, de amadores. No afã de atingir seus desafetos, acaba acertando seus próprios parceiros.

Ontem eu vi uma “notícia” de um veículo de comunicação que colocava o atual Prefeito de Corumbá, Ruiter Cunha de Oliveira (PSDB) como figura principal (e alvo) em uma “matéria” que beirava o sensacionalismo.

A “matéria” - que é TODA voltada para o prefeito - em um dos seus trechos coloca o endereço de link para um vídeo do YouTube, onde a testemunha e delatora Ivanete Leite Martins relata como acontecia toda a “Farra da Publicidade”, escândalo que aconteceu durante o período do governo de José Orcírio Miranda dos Santos - Zeca do PT, onde as notas eram superfaturadas e figurões do governo de Zeca recebiam propina das gráficas e agências.

Zeca inclusive acabou de ser condenado por esse crime, perdeu os direitos políticos e vai recorrer.

Mas em NENHUM MOMENTO da referida “matéria”, o vídeo citou Ruiter. Eu já tinha visto esse vídeo antes e senti falta de algo nele. Faltava ALGUMA COISA nas declarações de Ivanete e o vídeo em vários momentos mostrava um “corte” brusco, grosseiro em sua edição.

Então fiz uma busca no Youtube pelo vídeo que eu tinha certeza que já havia visto e achei.

Este é o link do vídeo da “matéria” sensacionalista (https://www.youtube.com/watch?v=Ij84B3hMZ2w), que você pode assistir abaixo:

Observe que aproximadamente aos 0:26 de vídeo, há um corte (entre vários outros, depois).

Agora compare com os 0:26 do vídeo SEM CORTES desse vídeo aqui - e que eu recomendo ENFATICAMENTE assisti-lo por inteiro.


Sabem o que eu disse lá em cima de agir cegamente? Pois é, então. Esse é o problema de se dizer meias-verdades, ou apenas dizer aquilo que lhe interessa ou lhe convém. Agir cegamente, dá nisso.

Como profissional de mídia e jornalista eu até entendo que a vida não seja fácil em nossa área. A receita de um jornal é restrita à publicidade, é complicado prospectar anunciantes e ter assinantes pagantes então - é um parto. Por questões de sobrevivência do próprio veículo de comunicação, muitas vezes um jornal acaba levantando bandeiras políticas - e nem mesmo lá nos EUA, escapa-se disso. Faz parte do jogo.

O problema é criar FAKE NEWS, forçar a barra, tentar enganar o leitor. ISSO é que tira a credibilidade de um veículo de comunicação e desmerece a classe jornalística.

Como jornalista eu sei que inevitavelmente o Jornal X vai por um lado e o Jornal Y, para outro. Vemos isso diariamente em vários jornais, sites e revistas deste país. E isso de certa forma acaba AJUDANDO no processo político como um todo, porque faz o leitor ter acesso à várias pontos de vista de um mesmo problema - e porque no final das contas, ele vai ter que optar por escolher um lado e usar essa opinião para ajudar a decidir os rumos políticos da sua realidade - e o caso que citei acima é só um exemplo.

Por coisas assim, eu sempre recomendo aos meus amigos que não fiquem focados apenas em um canal de tv, rádio, site, jornal, revista ou o que for. Informe-se em vários veículos de comunicação, para então formar o seu próprio conceito sobre o assunto.

Ao criar esse hábito, você evita cair nas armadilhas semânticas das notícias ardilosas (que nunca deixarão de existir) e no mau-caratismo de “profissionais” desesperados que fariam qualquer coisa por um bannerzinho de publicidade.

Até mesmo matar o fiapinho que resta de qualquer credibilidade que já tiveram um dia.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

Comentários

Atenção:

Os comentários desta matéria são gerenciados pelo Facebook, que posta, agrega os comentários e os exibe nesta página. Este site não se responsabiliza, por qualquer comentário indevido, feito à qualquer pessoa ou instituição - sendo cada comentário, de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores.