Opinião

Corumbá: em um recomeço inesperado, desafios ainda maiores

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A perda de Ruiter não foi sentida dolorosamente apenas pela sua família - pois ele representava a esperança de dias melhores para uma Cidade Branca que sofreu muito nas mãos de uma gestão desastrada, que trouxe apenas sofrimento e atraso para o povo corumbaense - por isso ouso dizer que cada corumbaense que sentiu o amor que Ruiter tinha pela sua Corumbá também sentirá dentro de si um luto eterno pelo homem que simbolizou esse grande amor que todo corumbaense que AMA sua terra de verdade. 

Para nossa sorte, seu Vice e principal parceiro político na jornada eleitoral das Eleições 2016 também é um homem carismático, popular e preocupado em resolver os problemas do povo - possuindo os devidos méritos e qualidades para seguir em frente com o projeto inicial.  

Afinal de contas, Marcelo foi uma peça de fundamental importância para a vitória de um grupo que não tinha dinheiro e que contava (quando contava) apenas com um mirrado apoio do Governo do Estado.

Sim, a combinação Ruiter-Marcelo foi decisiva para peitar a máquina da Administração Municipal vigente - e se a combinação fosse outra, dificilmente o resultado vitorioso seria  alcançado.

Pela força do Destino e razões ocultas que fogem à compreensão humana, hoje Marcelo Iunes é o Prefeito de Corumbá. E acreditem, amigos: isso não deverá ser uma tarefa nada fácil para Marcelo.

Primeiro, porque ele assim como nós foi surpreendido pela trágico evento que abalou toda uma região. E ao invés de nós, ele tem que OCUPAR o cargo de alguém que não era apenas seu parceiro político, mas seu amigo. Só para vocês terem uma idéia do quanto isso pode ser amargo, enquanto todos choravam o seu luto, ele teve que assumir o cargo por força de lei - pois senão nem luto oficial poderia ter sido decretado. Infelizmente com isso, perante a população incauta cria-se a imagem de um “usurpador” frio e insensível, quando na verdade a história é outra, por conta da nossa legislação. Ninguém esperava ou desejava esse tipo de fatalidade - salvo aqueles inimigos declarados que hoje fazem-se de vítimas sonsas nas redes sociais, tentando justificar o injustificável.

Segundo, porque Marcelo ainda não teve a oportunidade de preparar-se para ser Prefeito. Ele foi um legislador durante muitos anos e há dez meses estava tendo a oportunidade de gerenciar uma pasta, a FUNEC - um percentual pequeno diante das dimensões administrativas de uma Prefeitura inteira. Para complicar, as eleições sempre acontecem na primeira semana de Outubro e os administradores vitoriosos tem pelo menos quase três meses para a “ficha cair” e aprender o processo, durante a fase de transição do poder. Ruiter teve essa oportunidade, Marcelo não - um vice-prefeito dificilmente participa ativamente nesse processo transitório. Sendo assim, Marcelo dormiu Vice e acordou Prefeito - algo injusto, tendo em vista da responsabilidade do cargo e a expectativa que espera-se dele nesse momento.

O fato é que independente de tudo, Marcelo Iunes agora terá três grandes desafios pela frente:

O primeiro é a sua capacidade e força administrativa. Ele já demonstrou ser sábio ao manter boa parte da equipe que Ruiter montou. São pessoas que fizeram seu trabalho direito (a maioria), botaram a casa em ordem (que estava bagunçadíssima) e estão tornando a gestão viável. Isso é fundamental para que a Administração Municipal siga seu curso sem grandes impactos na gestão. Mas também é sabido e notório que ainda existem oposicionistas que trabalham contra o sucesso da gestão (e consequentemente contra a cidade) que precisam e devem ser extirpados para que as coisas passem a fluir com mais facilidade. Ruiter estava tentando a diplomacia com essas pessoas e contando com sua gratidão futura (sob protestos de parceiros e apoiadores) pois era o jeito diplomático de Ruiter governar. Mas Marcelo é outra pessoa, é outro gestor e certamente joga e pensa diferente - e provavelmente cabeças rolarão. 

Ainda que isso pareça duro, é uma medida necessária para que a administração se torne mais unida e coesa. Como? Ele ganha a confiança e o respeito de todo um time que deu suor, lágrimas e sangue para fazer a coisa acontecer e ao mesmo tempo mostrará que não veio para brincar, exigindo mais trabalho e dedicação dos seus subordinados - algo justo, tendo em vista que é dinheiro público. Isso eliminará aqueles que continuam em “cima do muro”, e com isso trará mais eficiência laboral para essa nova gestão - justamente o que ele precisa nesse momento.

Afinal de contas, se Ruiter precisava de X para mostrar eficiência em sua gestão, ele precisará de X MAIS UM para fazer tudo com excelência e evitar a terrível comparação “Se fosse com Ruiter…”

O segundo desafio de Marcelo Iunes será não sucumbir à pressão da “parceria” do Governo do Estado. Sabe-se que Reinaldo Azambuja surfou na onda de Ruiter o quanto pode e até agora Corumbá não viu resultados CONCRETOS dessa parceria, além de muito blá-blá-blá para corumbaense ver. Ruiter mesmo, morreu sem ver os frutos do FONPLATA crescendo e de lambuja, viu com muito desgosto o Festival América do Sul ser CANCELADO e nada do prometido realizado. Nem mesmo um tijolinho foi construído no novo Pronto-Socorro Municipal, nem os 42 leitos extras que ele garantiu construir, desde que a promessa do HOSPITAL REGIONAL naufragou pantanal abaixo. Irmãos ladarenses também podem esquecer sua tão sonhada Maternidade e com ela, a dignidade de nascer na Pérola do Pantanal.

Digo isso porque é notória a incompetência desse Governo em cumprir suas promessas, e espero sinceramente que Marcelo use de toda sua sabedoria e coragem para mostrar que QUEM PRECISA de Corumbá nesse momento é o Governo do Estado - e não o contrário. “Cumpra suas promessas e depois a gente conversa” seria o mais sábio e prudente a se fazer, no momento - uma vez que a partir do ano que vem muitas obras não poderão ser lançadas ou concluídas por força da legislação eleitoral - e isso será a “desculpa” para empurrar essas promessas para uma próxima gestão que ao meu ver, há grandes chances de não acontecer e com isso, arrastar seu nome para a lama - tal como vinha fazendo com seu antecessor.

Sendo assim Marcelo tem o desafio de ter paciência e sabedoria para jogar e vencer, sem pressa. Afinal de contas, agora é ele quem dá as cartas.

E o terceiro e o mais difícil desafio não é de sua obrigação direta, mas refletirá com um peso inimaginável em seu futuro político: ajudar a eleger um Deputado Estadual por Corumbá.

Ruiter tinha o objetivo de fazer dois: o próprio Marcelo e mais um(a). O saudoso prefeito queria provar para todos que Corumbá e Ladário tinham condições de elegerem dois deputados e isso só não aconteceu por incompetência e má-vontade dos que detinham o poder na época - em 2014.

Caso Marcelo não eleja NINGUÉM, isso poderá ter consequências negativas no futuro político do novo Prefeito. Paulo Duarte (PDT) sentiu a cobrança dessa dívida durante a campanha de 2016 e isso foi um dos fatores decisivos que influenciaram a sua derrota para a dupla Ruiter-Marcelo.

Ademais, além da missão de eleger pelo menos um Deputado, ele deverá obrigatoriamente ser do grupo político atual - e não da oposição. Esse também é outro fator que Marcelo deverá observar com cautela, para que não enxerguem nele um “traíra”, aliando-se com aqueles que queriam prejudicar seu parceiro antecessor.

Sendo assim, para não cair em desgraça política e fugir da comparação “Se fosse Ruiter…”, Marcelo deverá abraçar para si essa árdua missão - quer queira, quer não.

Para piorar as coisas, não há hoje nenhum nome expressivo na cidade que possa fazê-la unir-se em torno dele. Na verdade há, mas pelas circunstâncias recentes ela certamente não estaria pensando no assunto e com certeza não pensará tão cedo.

Seu nome é Beatriz Cavassa, viúva do nosso querido Ruiter. Hoje ela seria o único nome e com todas as razões para continuar em frente com seu legado: possui experiência política, tem sensibilidade, é humana e querida por todos. Ademais, como Deputada continuaria cuidando da nossa cidade com sua vasta experiência na área de Assistência Social e de todo o legado conquistado até o momento.

“Dona Bia” como é carinhosamente chamada pelos seus colaboradores é a nova esperança de Corumbá. E eu espero sinceramente - passado o tempo necessário para recompor-se - que ela não nos deixe mais órfãos do que já estamos e dê continuidade ao projeto de mudança, iniciado em 2016 - com o apoio de Marcelo.

Para Marcelo, uma provável candidatura de Dona Bia facilitaria e muito o seu trabalho - uma vez que seu nome é incomparavelmente “leve” para se carregar e assim, sua missão seria cumprida mais facilmente. É algo a se considerar, com bastante seriedade - por ambos. O povo agradece.

Enfim, os desafios de Marcelo serão muitos. Mas o maior desafio que o novo Prefeito enfrentará é o fato dele acreditar em si mesmo e ter a coragem para construir o seu legado, a sua história - aproveitando a bagagem conquistada até o momento - e escrever também o seu nome na história de Corumbá, não como um prefeito regular ou um bom prefeito, mas sim como um dos melhores prefeitos que a cidade já teve.

Boa sorte nessa nova jornada, Capitão - pois estamos todos juntos, nesse mesmo barco.
 

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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