Opinião

Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento

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Se existe uma coisa que me deixa absolutamente transtornado é o total descaso do serviço público ou a não-prestação de um serviço público de qualidade.

Em boa parte isso só acontece porque nós - contribuintes - não valorizamos a utilização do nosso suado dinheirinho.

Em um país onde de 12 meses você tem que trabalhar 3 para sustentar a máquina estatal, já era para termos aprendido a cobrar e exigir uma prestação de um serviço público digno dos valores dos nossos impostos.

Hoje eu tive a felicidade e ao mesmo tempo, a infelicidade de participar de um evento de prestação de contas “100 Dias” da Administração do Prefeito Ruiter Cunha, de Corumbá.

Ruiter (PSDB), que é um conhecido político com um inegável carisma junto à população corumbaense apresentou para uma coletiva de imprensa parte do “legado” que recebeu do seu antecessor, Paulo Duarte (PDT).

Foram quase duas horas de apresentação de uma máquina municipal que parece ter saído de uma zona de guerra: tudo quebrado, destruído, sucateado, imprestável. Não era lavação de roupa suja: era a exumação de um cadáver, assassinado covardemente.

Nas imagens apresentadas no datashow do auditório do Sindicato Rural, era notório o descaso de quatro anos de uma administração que não gerou renda, não lutou por investimentos e os poucos que vieram, seus recursos foram gastos de forma esdrúxula e irresponsável.

O pior é que como qualquer outro cidadão corumbaense, me senti enganado: afinal de contas, nas redes sociais e nas propagandas televisivas (inclusive nas propagandas eleitorais) a Cidade Branca parecia uma cidade de país desenvolvido, de primeiro mundo - algo raro de se ver por estas bandas tupiniquins.

Fomos enganados. Propaganda enganosa. #SomosTodosOtários #CuidandoBemdaCidadeSQN #CuidandoBemdasPessoasSQN

Em um determinado momento da triste e melancólica apresentação (sentimento de quem se importa com a cidade), apareceram as imagens da Prefeitura Antiga, localizada no centro de Corumbá.

Prédio histórico e tombado pelo IPHAN, seu exterior parecia pintado, reformado, bem-cuidado, belo, imponente - como é a aparência dessa magnífica construção.

Mas por dentro, parecia que o prédio havia sido bombardeado em uma guerra. Algo absolutamente triste, porque quando criança eu o conheci funcionando, à pleno vapor: cometeram um verdadeiro crime ao patrimônio histórico.

Nunca uma imagem refletiu TANTO essa administração passada, que a Cidade Branca sofreu. É a imagem que melhor representa o longo momento que custou 4 anos de vida da nossa querida Corumbá:

“Por fora, bela viola.
Por dentro, pão bolorento.”

Ditado perfeito.

Sim, é uma pena que não exista PROCON para punir os maus políticos - aqueles que mentem, os que enganam, que praticam o logro, os que são ardilosos e desonestos.

Ainda não existem leis que punam os políticos canalhas, travestidos de representantes do povo, de “homens de bem”, travestidos do supra-sumo de uma “eficiência” - mas não a eficiência em fazer bom uso dos recursos públicos, mas sim em ser eficiente na incompetência, no descaso, na má gestão do nosso sacrificado dinheiro e na canalhice em enganar o povo que sacrfica-se dia após dia para sustentar todo o sistema.

As poucas leis que existem e que tentam conduzir o caminho do político para uma boa gestão pública são falhas, cheias de meandros e custosas a serem cumpridas.

Sim amigos, infelizmente não há muito o que fazer nesses casos.

Mas sempre existirão as urnas.

 

Sim, elas sempre existirão.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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