Editorial

Por quê a Reforma Trabalhista é boa para o Brasil?

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Trabalhei de carteira assinada poucas vezes na minha vida, confesso. Nunca consegui me comportar apenas nos limites da minha função designada: quando via algo de errado em algum setor da empresa lá ia eu dar meus pitacos para corrigir erros e incrementar melhorias. De alguma forma, eu sentia que minhas capacidades laborais eram subtilizadas, porque eu sempre queria fazer mais, ganhar mais. Posso contar nos dedos as vezes que trabalhei para alguém: como office boy em um escritório de advocacia, como vendedor em uma loja de departamentos, como layoutista de uma agência de publicidade, como diretor de arte de uma confecção, como contato comercial de uma emissora de televisão, como markequeteiro de uma empresa de software e como gerente comercial de uma indústria de alimentos.

E o curioso é que entre um emprego e outro, eu sempre alternei na atividade empreendedora. Seja como serígrafo, designer, webdesigner e arte-finalista. Quando eu tinha um emprego era bom, dava uma certa estabilidade e a certeza de ter o salário na conta no dia certo - mas a liberdade de ser empreendedor e os desafios diários eram mais emocionantes, sem contar que a remuneração era muito mais vantajosa.

Então eu vejo as reformas trabalhistas que serão vigentes em breve e fico feliz com isso. “Ahhhh, mas agora você é patrão, pouco se importa com o empregado”. Ledo engano.

Minha empresa já foi terceirizada por uma grande mineradora e eu terceirizava para ela alguns funcionários. Eles tiveram a oportunidade de trabalhar dentro de uma multinacional e de certa forma, mostrar seus talentos diretamente para os administradores dessa empresa e assim, pleitear um contrato direto com eles - coisa que não seria possível sem a terceirização. Eu também não poderia oferecer certos incentivos e ajudas de custo para meus funcionários - porque isso poderia ser incorporado ao salário e quem se daria mal no final, era eu - o “patrão”. Agora isso é possível, com a nova legislação.

Ademais, vejo que as coisas ficaram mais justas e equilibradas para o empregador - o que deve movimentar mais o mercado de trabalho. Vou dar um exemplo nas duas áreas que atuo: design e jornalismo. Agora posso contratar uma equipe de jornalistas por um determinado período, de acordo com a minha demanda - Carnaval, por exemplo. Tudo legal, sem o “por fora”, comum nessa área. Na área de design, posso contratar um profissional competente que more em São Paulo ou Joinville e estabelecer o regime de horário via home-office, por entrega de projetos.

Parece bobagem, mas coisas assim eram muito complicadas de se fazer e sempre havia o risco de você ser jogado para o limbo da ilegalidade - sofrendo custosas ações judiciais que no final sempre acabavam pendendo para o lado do empresário.

Essa reforma deixará o trabalhador mais responsável, mais zeloso e cumpridor dos seus afazeres. O mercado estará muito mais competitivo e logo veremos empresas oferecendo mais liberalidade e atrativos para contratarem bons profissionais e incentivos para retê-los.

E depois, quem não estiver contente poderá muito bem empreender - passar para o outro lado do jogo. Por quê não? Eu fiz isso e não me arrependo. Ser “patrão” foi a melhor decisão que eu tomei na minha vida - e com certeza alguns de vocês também tomarão essa decisão um dia, em suas vidas. Se você se acha talentoso a ponto de começar o seu próprio negócio e acha que não está sendo remunerado à altura? O que está esperando? GO AHEAD!

Penso que agora o jogo está equilibrado - afinal de contas TODOS os principais direitos foram mantidos - mas ainda falta UMA coisa, talvez mais importante que a reforma trabalhista: a reforma TRIBUTÁRIA.

Se você hoje não tem um salário que gostaria que tivesse, não pense que a culpa é do “patrão”. Em média, se você ganha R$ 1.000,00 reais de salário, seu empregador acaba desembolsando quase R$ 2.000,00 no final do mês - um salário “extra” pago ao governo, em impostos, taxas e encargos sociais. Como exemplo contrário, nos EUA para cada US$ 2.000,00 de salário, o empregador acaba pagando no final US$ 2.135,00 (apenas U$ 135 a mais, em taxas e impostos).

Ao contrário do que querem pregar, a reforma tributária não irá beneficiar apenas as empresas - mas principalmente os trabalhadores: com encargos menores, lucros aumentam, salários aumentam, a produtividade aumenta, produtos ficam mais baratos, consumidor paga menos, todos ganham.

É necessário enxugar cada vez mais a máquina Estatal, com as devidas privatizações necessárias, reduzir a ação do Estado ao mínimo em nossas vidas (saúde, educação, segurança e infra-estrutura) e deixar a economia LIVRE para fluir.

Com um Estado cada vez menor, a necessidade de impostos cada vez maiores deixa de existir. E só assim, meus queridos - o nosso querido Brasil irá para frente.

Com um território imenso para produzir, um clima favorável, povo amistoso, praias maravilhosas e uma cultura fabulosa - quando isso acontecer, migrar para os EUA será um imbecilidade sem fim: porque isso aqui será Primeiro Mundo, também.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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