Opinião

A grande questão: O titã chamado Vale

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A grande questão que envolve o titã chamado Vale é a extensão de seus tentáculos. Eles não abraçam o partido x ou y. Eles abraçam todo o aparelho político. Isso envolve pessoas da esquerda, e da direita. A VALE é o grande exemplo que na hora de liberar o dinheiro não existe orientação política mais ou menos correta.

Em Corumbá, e Ladário, REJEITOS DE FERRO são utilizados nas ruas de ambas as cidades, isso há mais de 20 anos. Em 2013, um advogado de Corumbá representou mais de 200 famílias moradoras da região alta da cidade de Ladário, bairros Alta Floresta e Nova Aliança, e de assentamentos da cidade de Corumbá, sobretudo o Assentamento Urucum, em processo contra a empresa Vale alegando problemas sérios de saúde em relação ao descarte de rejeitos de ferro nas ruas de ambas as cidades além da contaminação dos córregos Urucum e Arigolândia, que eram utilizados em assentamentos como fonte potável para o sustento de moradores. Vide os processos nºs 0802762-68.2013.08.12.0008; 08000134-38.2015.08.12.0008 e 0800066-88.2015.08.12.0008.

A poluição hídrica do córrego Arigolândia em 2012, logrando multa milionária do IBAMA sobre a Vale, não repercutiu em medidas preventivas da referida empresa que prosseguiu a exploração mediante a lesão dos populares. Ano passado, o secretário de meio ambiente de Ladário me disse: “A recomendação do Ministério Público é de não utilizar esses rejeitos nas ruas… mas fazer o que, né? É econômico. O povo reclama de tudo”.

E finalmente, o mais alarmante: segundo dados do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), duas barragens que possuem rejeitos de ferro e manganês, as barragens Bacia Pé da Serra 02 e Bacia Pé da Serra 03-04, possuem alto risco de rompimento, com risco de desastre semelhante ao desastre na cidade de Mariana (MG) e Brumadinho (MG). Tendo precedentes o risco de rompimento, vide maio de 2014 quando uma barragem da mineradora Vale em Corumbá não suportou o volume de água e transbordou, invadindo pequenas e grandes propriedades, atingindo, sobretudo, as cachoeiras. A lama desceu e atingiu os lagos Azul, Iracema e Menk. Os danos ambientais ao Maciço do Urucum como o rastro de lama que soterra os açudes artificiais e, destarte, o açude natural, e abaixo das lagoas de decantação, passando pela mata e soterrando também o minadouro natural, já foram flagrados por fotografia de satélite, tendo sido negados em juízo pela empresa Vale.

A Vale que faz das morrarias de Corumbá um verdadeiro queijo suiço, que já assoreou córregos, que já contaminou humildes pessoas, vai continuar. Sabe o porquê? Porque os royalities da extração mineral são mais, bem mais, lucrativos do que a vida de um José ou de uma Maria em sua casinha pobre as beiras de um lago vermelho-sangue contaminado. Quem reina num trono de ossos sempre será o capital.

Nathalia Claro Moreira
Historiadora e Jornalista.

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