Opinião

Super-Assessoria

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Na semana passada foi veiculada em alguns jornais do Estado a “notícia” que o ex-prefeito de Corumbá - Paulo Duarte (PDT) - derrotado nas eleições 2016 pelo candidato tucano Ruiter Cunha de Oliveira (PSDB)- seria agora o “responsável por fazer a articulação e interlocução política da Assembléia Legislativa com sindicatos e instituições da sociedade civil.”

Segundo as informações apresentadas por esses veículos de comunicação, Paulo - que já foi Chefe da Casa Civil e Secretário de Finanças do Governo Zeca do PT, já foi Deputado Estadual por um mandato e meio e já foi Prefeito de Corumbá por um mandato - hoje seria um assessor do Legislativo designado para “aproximar o legislativo dessas entidades”.

Com essas “matérias jornalísticas”, a Assembléia indiretamente assumiu que está distante de vários setores da sociedade - e que entre 966 funcionários competentes dentro dos seus quadros, precisou importar um servidor de carreira do Governo do Estado (Auditor Fiscal da Receita Estadual, com salário bruto de R$ 42.248,58) para fazer esse trabalho.

Para a Assembléia é um bom negócio: não paga um funcionário do seu orçamento (o salário é pago pelo Governo - mas no final das contas dá no mesmo: nossos impostos acabam pagando a conta), e “ganha” alguém com experiência política para resolver aqueles pepinos que nenhum deputado “tem tempo” de resolver.

Para Paulo também é negócio, uma vez que não conseguiu fazer parte do alto escalão do Governo do Estado - após sua derrota em Corumbá: não precisa bater folha de ponto na Receita Estadual e fica livre para fazer a sua própria política e quem sabe um dia retornar ao cenário político estadual, como um dos protagonistas principais. Quem perde é a Receita Estadual - que há muito tempo perdeu um Auditor Fiscal trabalhando efetivamente nas suas funções - mas continua recebendo salário como tal, graças à nossa legislação vigente que permite esse tipo de coisa (optar pela remuneração recebida, quando ocupando funções diferentes da qual foi concursado).

Porém, todo o confete criado em torno de um cargo de assessoria cria uma saia-justa: afinal de contas, qual é o papel dos 966 funcionários da Assembléia Legislativa?

Sabemos que a Assembléia HOJE tem 643 assessores (entre estes, 14 jurídicos, 15 de imprensa e 2 militares), 158 técnicos, 27 auxiliares, 9 chefes de setores e 47 assistentes. São 966 profissionais que trabalham para os Deputados eleitos e estão à disposição de qualquer cidadão comum, inclusive qualquer empresa ou entidade.

A lógica é simples: Se apenas UM homem será responsável por fazer o trabalho de “conversar e aproximar” de sindicatos e todo tipo de entidades - então porque não cortarmos gastos com boa parte desse pessoal de assessoria que vai ficar ocioso na Assembléia com a entrada do “super-assessor”?

Em tempo de crise vamos cortar gastos, não é mesmo? Se tem gente capacitada para fazer esse trabalho, então vamos cortar quem vai ficar de braços cruzados!

Vamos dar exemplo, senhores Deputados!

Fábio Marchi

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