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Interior Redação 25/Junho/2020 / Última edição às 22:15:14

CORUMBÁ: Proprietários conseguem impedir tentativa de invasão em lotes particulares, no Jatobazinho

Presença da Polícia Militar foi fundamental para garantir o diálogo durante a reintegração de posse dos particulares.


CORUMBÁ - A Capital do Pantanal sofre uma onda de invasões de terras urbanas desde o ano passado e que se intensificaram ao longo deste ano.

Desta vez houve uma tentativa de invasão na região do Jatobazinho, na manhã de hoje (25) na zona sul e parte alta da Cidade Branca, onde este Correio fez a cobertura do momento em que Carlos Dobes, empresário, proprietário-administrador dos lotes envolvidos dialogava com as pessoas que estavam limpando o terreno e demarcar suas “posses”:


Empresário Carlos Dobes, proprietário e administrador dos lotes invadidos. | Imagem: Fábio Marchi

“As pessoas que estão aqui são pessoas da comunidade, que moram aqui na região e por influência de uma pessoa que disse que estaria invadindo aqui a região , que aqui seriam “terras devolutas e aí essa informação foi passando de uma pessoa para outra e deu essa confusão, essa aglomeração de gente aqui”.

Segundo Dobes, essas pessoas já chegaram com facões, enxadas e foices para limpar a área dos terrenos e demarcar o seu espaço:

“Nós ficamos sabendo por clientes nossos, que compraram os terrenos, pois esse aqui é um loteamento nosso, todo registrado na Prefeitura, mas você está vendo esse descaso da Prefeitura, porque onde nós estamos, inclusive deveria ser uma alameda, está aqui o projeto, o croqui , nós estamos justamente nesse vão aqui”


Documentação apresentada pelo empresário marca a delimitação dos lotes dos seus clientes. | Imagem: Fábio Marchi

ÁREA SEM INFRA-ESTRUTURA

O empresário diz que luta para que o mínimo de infra-estrutura seja providenciado para que seus clientes comecem a construir suas casas:

“Essa Alameda já era para estar no mínimo com aterro e iluminação, porque os lotes das pessoas aqui, todos pagam os devidos impostos e você pode ver, a luz só chega até ali (aponta)”

Dobes explica que assim que ficou sabendo do acontecido, acionou a Polícia Militar para garantir uma eventual reintegração de posse, tendo em vista a quantidade de pessoas que estavam em sua propriedade, limpando a área para demarcar seus próprios lotes. Para sua sorte, o empresário e a população local acabaram chegando à um consenso:

“Eles entenderam que aqui é propriedade particular, já foi loteado, tem clientes aqui, proprietários. Aí vem a pergunta: “Por que não limpam?” Como um cliente vai limpar um terreno que não tem nem acesso? A Prefeitura deveria abrir uma alameda aqui, o projeto já foi aprovado há tempos! Isso aqui é mato puro! Estão asfaltando tudo, mas essa alameda aqui não foi aberta. A Allan Kardec ali também não foi aberta, é complicado”.


Presença da Polícia Militar no local foi fundamental para a manutenção da paz e da ordem durante o diálogo. | Imagem: Fábio Marchi

FALTA DE SEGURANÇA

O empresário diz que o proprio pessoal da comunidade reclama da área fechada pelo mato e principalmente, da falta de iluminação que promove a insegurança na região:

“À noite aqui é perigoso, sem iluminação as pessoas vem aqui fazer atos ilícitos. Então estou falando para eles: a gente vai juntar o nosso pleito e vamos levar essa pauta aos responsáveis para que se possa tomar uma providência cabível, porque é um pleito da população. Meus clientes pagam seus impostos e não tem nem acesso aos seus lotes, mas o maior problema é a segurança da população.”

A PROBLEMÁTICA DAS INVASÕES

Carlos Dobes finalizou:

“Pensa: às oito horas da manhã recebendo telefonema dizendo que esta invadindo sua terra. E o meu compromisso com meus clientes que já compraram os lotes? Como vou chegar para meu cliente e dizer: olha a terra que vendi para você foi invadida lá?”


Empresário conversou com invasores no local. | Imagem: Fábio Marchi

Este Correio também ouviu o lado dos invasores e também alguns clientes que se dirigiram ao local, assim que souberam do ocorrido.


Ramão Corrêa, autônomo. | Imagem: Fábio Marchi

Ramão Corrêa, autonomo, nos relatou suas razões para participar desse movimento:

“O Prefeito teve aqui no condomínio, disse que ia fazer uma praça, “não sei o quê”, mas ficou no papo. É meu amigo, mas a gente tem que falar a realidade. Até hoje nós estamos assim como nós estamos. “Briguemos” tanto pro asfalto chegar até aqui, fui até ameaçado pelo pessoal da Equipe, tal e tô aqui. Ele falou que ia fazer uma praça de esportes , um postinho de saúde, ele garantiu pra nós asfaltar essa rua aqui, e agora? Como é que fica? Se a gente não brigar, nada acontece!


Alex Ferreira | Imagem: Fábio Marchi

Já Alex Ferreira nos relatou sua indignação com “cadastros” e promessas que não saem do papel:

“Aqui não vem ninguém da Prefeitura, essa Prefeitura que tá hoje aí só fala em cronograma, mas não sai do papel. Não vem ninguém da Prefeitura perguntar aqui. Fizeram aquela época o cadastramento do pessoal, colocaram pessoal que tem casa, que tem duas casas, que vive de aluguel , que tem casa de aluguel, pegaram tudo essas casas aí. A gente que precisa, que mora de aluguel não abrem inscrição pra gente. Toda vez a gente ia, batia lá e “Ah não, vai ficar pra mês que vem”, é outro cadastro, só fica no cadastro, mas nunca sai. Com certeza tem gente que tem casa agora que pegou outra casa aí que tem casa em aluguel”.


Carlos Roberto e Josilaura | Imagem: Fábio Marchi

O Correio também conversou com Carmo Roberto e Josilaura, casal que adquiriu um dos lotes há pouco tempo e vê com preocupação seus sonhos serem invadidos por outras pessoas:

“A gente fica indignada com uma situação dessas, porque é tão difícil a gente adquirir pra depois chegar aqui e ver pessoas que a gente não conhece vir querer tomar o que é nosso. A gente precisa de tanta coisa aqui, que aqui é uma alameda, e a gente nem pode ver, porque a Prefeitura não limpou. A gente faz as coisas na luta, no suor, trabalhando todo dia pra ter o que é nosso e acontece isso.”

Segundo a compradora do terreno, ela nunca havia visto esse tipo de situação em Corumbá:

“Nunca havia visto uma situação como essa em Corumbá, principalmente invadindo terrenos de particulares. A gente respeita as pessoas, porque precisam também - mas a gente também precisa e pagamos por isso, é o nosso direito. A gente é trabalhador também, igual a todo mundo. Eu preciso dessa Alameda pra começar a construir, pra ter acesso ao meu terreno.”.


José Luís Vasconcelos | Imagem: Fábio Marchi

José Luiz Vasconcelos é outro cliente, proprietário de um dos lotes que relatou à este Correio que a situação de invasão está acontecendo há pelo menos dois dias, mas até o momento da chegada da Polícia Militar não havia aparecido nenhuma autoridade responsável pelo caso, nem do Meio Ambiente, nem ao menos a Guarda Municipal:

“Comprei esse terreno há três meses. Eu moro de aluguel aqui em frente e vi tudo acontecendo, desde ontem. O pessoal vem, taca fogo pra limpar o mato, quer derrubar as árvores e ninguém fez nada. Aí a gente solicitou a viatura da Polícia Militar e eles vieram, porque querendo ou não, é invasão de propriedade particular. Agora vou ter que ficar de guarda aqui, senão vão invadir novamente.”


José Carlos Vasconcelos: "Vou ficar aqui de guarda, pra proteger o que é meu." | Imagem: Fábio Marchi

PLANO DIRETOR SEM DIREÇÃO

A cidade de Corumbá possui um Plano Diretor, desde 2006, que EM TESE definiria algumas garantias expressas em seu texto, como diretrizes, dentre elas as que definem a necessidade de preservação de áreas ambientalmente frágeis e de valor histórico e cultural; e as que tratam de instituir processos de planejamento e controle social tendo em vista a ocupação de áreas vazias dotada de infra estrutura, por meio dos instrumentos previstos no Estatuto da Cidade para esta finalidade - mas que pelo visto, não está sendo colocado em prática, resultando em insatisfação social e como consequência disso, as invasões.

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