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PINGA-FOGO

TERCEIRO TURNO - Batizado de "julgamento do terceiro turno", no TRE-RJ, nesta  sexta, 17, ele será transmitido ao vivo. Vai congestionar o sistema do tribunal pelo volume de acessos. Nunca um julgamento eleitoral atraiu tantas atenções, já que tem como alvo os dirigentes de dois poderes, o Executivo e o Legislativo. Para assistir é só acessar o site do TRE-RJ e clicar na transmissão ao vivo.

O PT SUMIU - Derrotado no primeiro turno das eleições para governador, Marcelo Freixo iniciou o processo utilizando a questão do Ceperj como a grande responsável pela sua derrota. O curioso é que nenhuma das figuras da esquerda, entre elas um reitor da UERJ que foi candidato a deputado pelo PT, foi incluída entre os réus. Processo seletivo na escolha dos acusados.

CRIMINAL - O caso do Cederj é grave e precisa de apuração rigorosa, tanto que existe um processo na esfera criminal para apurar responsabilidades. Neste processo nem o governador Cláudio Castro e nem o vice Thiago Pampolha são réus. Não foram apontados nesta investigação nenhuma responsabilidade dos dois. No caso do "Julgamento do Terceiro Turno", o embate será entre acusações recheadas de revanches e passionais contra defesas técnicas, sem as adjetivações usadas pelos acusadores.

NONSENSE - A fragilidade do processo que será julgado é apontada pela inclusão do deputado Áureo Ribeiro como réu. Não há jurista que leia o processo e não fique pasmo com a inclusão do parlamentar. Já outro réu foi incluído por ter feito um projeto esportivo, que nada tem haver com o projeto que está nos autos. 

VISTAS À VISTA - São sete votos e sete julgadores, cada um votará com a sua consciência. O voto do relator terá o mesmo peso dos demais. O volume de réus (11) transforma este julgamento em um fatiamento de nome a nome. É tão complexo que o pedido de vistas é inevitável. Para um especialista na justiça eleitoral, o mais inteligente seria um pedido coletivo de vistas, já que os autos são eletrônicos e todos os desembargadores poderiam ter acesso simultaneamente.

LINHA DO TEMPO - Fala-se em cassação, mas os efeitos não são imediatos. Ninguém será afastado após a conclusão e a subida para o TSE. Caberá, primeiro, que os embargos de declaração sejam apreciados. E poderão ser 11, um para cada réu. Só depois ele sobe. Se derrotado, o Ministério Público Eleitoral e o próprio Marcelo Freixo poderão recorrer. Qualquer decisão definitiva só depois das eleições municipais de 2024. Se não varar para 2025.

NOVO TSE - Um novo cenário surge no TSE, com a nova presidente da corte eleitoral, a ministra Cármen Lúcia, e com a chegada dos ministros do STF, Kassio Nunes Marques (como vice) e André Mendonça. Um cenário que não abriga uma tentativa de terceiro turno de uma esquerda abatida no primeiro turno e com larga maioria de votos.

ESCOLHIDO PELA HISTÓRIA - O desembargador Henrique Figueira foi brindado pela história para presidir dois julgamentos importantes: o do impeachment de Wilson Witzel, que definiu o primeiro mandato de Cláudio Castro e, agora, o "Julgamento do Terceiro Turno" que tenta cassar a chapa eleita em primeiro turno e com ampla maioria de votos. É um magistrado que saiu aplaudido do inédito processo de impeachment, por ter permitido uma ampla defesa do acusado. Ele fez história.

MARCOS PEREIRA ISCARIOTES - O deputado federal Marcos Pereira, presidente do Republicanos e candidato declarado a presidente da Câmara, deve ter ficado arrependido de ter ido a Nova Iorque. Falou sobre as fakes news do Rio Grande do Sul, comprando a briga do governo e foi detonado pelo presidente Jair Bolsonaro, que reproduziu a mensagem que recebeu do deputado Sóstenes Cavalcante. Até o PQP seguiu na mensagem de Bolsonaro no grupo privado só para parlamentares.

Marcos Pereira, cada vez mais rotulado de Judas Iscariotes pela direita e até pela bancada evangélica, pulou mais do que "siri na lata" com as críticas de Bolsonaro. Até hoje é colocado na sua conta a derrota de Marcelo Crivella na prefeitura do Rio. Até o fundo partidário para o bispo/prefeito da sua igreja ele só liberava em operações nada ortodoxas e nada republicanas.

EL BRUJO - Quem foi visto em um café, em Nova Iorque, lendo uma quantidade enorme de volumes com espiral, foi o El Brujo, Rodrigo Abel. Eram pesquisas eleitorais do interior do Rio que recebiam anotações com marcadores de diferentes cores. Estava tão entretido que não percebeu que ficou sendo observar bem próximo durante um bom tempo. A sensação de distanciamento em Nova Iorque permite esta distração. Só que há cariocas em cada esquina da Big Apple.

E OS RODOVIÁRIOS? I - O prefeito Rubens Bomtempo após pressão da população, da imprensa e da Justiça, decidiu decretar caducidade de um contrato com a empresa de ônibus Cascatinha. Contrato que foi "inventado" por ele mesmo em 2015, em um mandato anterior. A empresa começou a operar no transporte público da cidade sem licitação, apenas por força da vontade do prefeito. Agora, caducando o contrato fictício conseguiu agradar a população, que estava com a segurança em risco torcendo para não sofrer um acidente grave circulando em coletivos em estado tão precário.

E OS RODOVIÁRIOS? II - A decisão de decretar caducidade do contrato, como mostrou a coluna na última edição, foi há poucas horas de efetivamente entrar em vigor, à 0h desta quinta-feira (16). Os trabalhadores foram pegos de surpresa e foram às ruas protestar. Mas ao que tudo indica, ficarão desamparados. As empresas que assumiram as linhas da Cascatinha não estão obrigadas a contratá-los. A Prefeitura anunciou a decisão no susto, sem conversar com os representantes da classe. A empresa que foi retirada não se pronunciou. Uma possibilidade seriam os R$ 4 milhões de outorga previstos para nova concessão do transporte, mas esse não deve sair tão cedo. O edital elaborado pela Comissão Especial criada por Bomtempo apresentou várias irregularidades e foi barrado pelo Tribunal de Contas do Estado até que seja revisto pela Prefeitura.