Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Debate sobre a anistia não parece entusiasmar

Segundo a USP, ato reuniu 6 mil pessoas | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Publicamente, nem um lado nem outro irá admitir. Mas o fato é que floparam tanto o ato em favor da anistia produzido pelos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em Copacabana, no Rio de Janeiro, no dia 16 de março quanto a manifestação contra o projeto organizada pelo PT e pelo Psol no domingo (30) na Avenida Paulista, em São Paulo. De acordo com o mesmo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP), foram 18 mil em Copacabana e 6 mil na Paulista. Mais um sinal de que a população, como as eleições municipais do ano passado já indicavam, cansou um bocado dessa polarização. No caso, porém, a essa altura isso pode ser mais má notícia para Bolsonaro. É ele quem enfrenta julgamento.

 

Jogo parado

É Bolsonaro, portanto, quem mais precisaria mobilizar a sociedade para pressionar a justiça a seu favor. Leituras feitas por alguns políticos nesta segunda-feira (31) apontam que a frustração dos dois atos poderá estimular o Congresso a jogar parado em torno do projeto.

Projeto

As ruas, até agora, apontam para indiferença quanto ao caso. Uma situação, portanto, que poderá levar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) a querer empurrar o projeto com a barriga. E deixar o protesto estridente somente na boca dos mais radicais.

Governo, porém, olha movimentação com cuidado

O que fará Hugo Motta com o projeto de anistia? | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O governo, no entanto, não irá somente ficar apostando nessa possibilidade. Por outro lado, há um temor de que o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), venha a conseguir as assinaturas de apoio para fazer tramitar o projeto de anistia em regime de urgência. No fim de semana, ele comemorou apoios dos líderes do PSD e do Novo, o que não necessariamente significa adesão total das bancadas (no Novo, é até possível, no PSD, não). Mas os cálculos feitos pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), são de que a urgência já teria mais de 200 votos de apoio. A possível adesão não é necessariamente em favor de Bolsonaro.

Gleisi

É mais relacionada à impressão de que houve exagero em algumas penas. Não é por outra razão que a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, faz circular um levantamento sobre as penas que foram impostas àqueles que foram presos após o 8/01.

Acordo

Segundo esses dados, dos 1.604 réus, mais da metade (546) fez acordo, com suas penas canceladas. Entre os que não fizeram acordo, 237 foram condenados a somente um ano de prisão, e já cumpriram suas penas. Os condenados com penas mais graves são, assim, 205.

Progressão

De fato, nesses casos, as penas variam entre 14 e 17 anos, mas a maioria não ficará presa por esse tempo. Pelos critérios de progressão de pena, a maioria estará em regime semiaberto ou prisão domiciliar logo. Gleisi postou os dados nas redes sociais, mas negocia com eles.

Reforma

Há rumores de que, após a volta da viagem ao Japão e ao Vietnã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa acelerar a reforma ministerial. Teria sido para isso a presença na comitiva de Hugo Motta, Davi Alcolumbre (União-AP), Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG).