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Editorial | A Chapa Te-Te e a ardilosidade do vampiro político

A Chapa Te-te e a ardilosidade do vampiro político

Por Cláudio Magnavita *

Em um jantar com empresários em São Paulo, o ex-presidente Michel Temer foi explícito: “Eu quero ser aclamado como o candidato da pacificação!” . Recebeu aplausos e o Gilberto Kassab, na mesa principal, balançava a cabeça em concordância. É a chapa Te-Te nascendo: Temer e Tebet. Todos os dois sobrenomes começando com T e E, com apenas 5 letras. Prato feito para os marqueteiros. Nesta equação cabalística, inclui-se as cinco letrinhas de Kassab, com um pé no Tarcísio Freitas e outro no Lula. Na verdade, o presidente do PSD é o grande incentivador da chapa Te-Te, uma engenharia confabulada há seis meses e que foi de editorial do Correio da Manhã.
Temer tem usado a sua cria no STF com uma destreza impar. Ele tem a sorte de ter agora o seu pupilo no comando do TSE. O que explica muita coisa neste xadrez de ativismo político no judiciário.
Em São Paulo, o Gilberto Kassab seduziu o Tarcísio e sem fazer um único prefeito - todos estão com o candidato a governador Rodrigo Garcia, funciona como uma âncora afundando um candidato com potencial. No Rio vai de PDT e apoia Lula. Tanto na direita e na esquerda a ideia é colocar fogo no circo do extremismo para a solução Temer subir de forma pacificadora.
O pedido do adiamento da convenção do MDB é um visível sinal desta articulação em curso. Ela está se materializando da mesma forma que o impeachment da Dilma foi tomando forma. A queda de Lula em São Paulo só anima Temer a coçar as mãos e preparar o balé que eles irão fazer para justificar o seu “sacrifício” em nome da pacificação do país.
É só aguardar os próximos passos do Ministro Alexandre de Moraes para conhecer os próximos passos da chapa Te-Te. Jair Bolsonaro é a pedra do caminho. O seu efeito teflon junto ao eleitorado é um complicador. Eles apostavam em um desgaste maior nesta altura. Trabalham na questão dos embaixadores, mas esquecem que o primeiro a convocá-los foi o ministro Edson Fachin. Já há uma grande articulação para Michel Temer ser entrevistado na GloboNews pelo Roberto D’Ávilla e ganhar espaço no Jornal Nacional da Globo. Em São Paulo, João Doria tem sido procurado.
Ao se colocar como defensor da manutenção das reformas trabalhistas que realizou e já declaradas em processo de extinção pelo PT, mas que foram respeitadas por Bolsonaro, Temer tenta conquistar o coração e o bolso dos empresários paulistas. A articulação está em curso e é muito mais do que um sonho de um octagenário voltar a ter novas doses do Viagra da política: o poder oriundo de um regime presidencialista.

*Claudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã

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