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A dança das cadeiras

Por Jolivaldo Freitas*

Depois que Fachin embolou a política brasileira, com a liberação de Lula para ser – se quiser, é claro – candidato do PT na próxima eleição presidencial, o todo político do país virou uma dança das cadeiras, onde a cada semana alguém se reveza na tentativa de criar um fato novo a cada dia.
Até Bolsonaro, que vinha sendo levado por um céu de brigadeiro, um mar de almirante (perdoe o uso dos chavões), teve de se virar por que sentiu no cangote o bafo da tempestade que se avizinha.

Recentemente quem ganhou holofote foi Marina, que estava apagada, quieta no seu canto, mas que saiu demonstrando completa insatisfação com a iniciativa do presidenciável perene Ciro Gomes, que decidiu usar os serviços de João Santana, velho marqueteiro do PT, que ela considera como “pai das fake news” na política nacional. Ciro ficou quieto, pois se tem alguém mais sabido na política do que ele já morreu. Como se dizia antigamente de um político inteligente, tempos passados e muito, Ciro é “uma raposa felpuda”.

Mas agora o país ganha um palco único para alavancar a imagem (ou destruir também) de futuros presidenciáveis. É a CPI da Covid. Tanto que além da preocupação com a possibilidade de um impeachment do presidente Bolsonaro – o que não é de todo impossível depois de estarmos perto de 450 mil mortos pelo coronavírus- existe a tensão criada com a CPI.

Tanto, idem, que o governo tenta evitar que CPI da Covid se transforme em palanque eletrônico para os políticos (como foi com Mandetta e está sendo com Renan Calheiros) contra Jair Bolsonaro e ele mesmo, o mandatário, já mandou sua tropa de choque para pressionar os membros da CPI. Mas sabe-se queu todas as falas estarão voltadas para atingir Bolsonaro e seu negacionismo.

O problema também é interno, vez que a própria Tropa de Choque se queixa que não tem elementos em mãos para fazer frente à enxurrada de acusações que irão aparecer durante a o desenvolvimento da CPI da Covid. E o corpo dessa tropa está em guerra intestina. Basta ver Onix Lorenzoni, secretário-geral, em choque com Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, desafetos desde o início do ano passado. Sem falar na dança das cadeiras que é um tópico desse governo.

Enquanto isso, como se viu, já reaparecem Marina e Lula. Respiram mais fundo Dória e Ciro. Só falta mesmo surgir o espectro de Aécio Neves – nunca se sabe - e quem sabe o de Joaquim Barbosa (lembra dele?). No nosso Brasil embolado e doente a política parece até “A noite dos desesperados”. Lembra do filme de Sydney Pollack?

*Escritor e jornalista

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