Por Igor Gielow (Folhapress)
O governo Donald Trump considerou pela primeira vez a Guerra da Ucrânia um conflito por procuração entre os EUA e a Rússia. Já líderes europeus se reúnem para debater formas de manter o apoio a Kiev, consolidando o racha no Ocidente acerca do rumo da crise iniciada com a invasão promovida por Vladimir Putin há três anos.
"O presidente Donald Trump vê esse conflito como estagnado e, francamente, é uma guerra por procuração entre potências nucleares: os EUA, ajudando a Ucrânia, e a Rússia", disse o secretário de Estado, Marco Rubio, em entrevista na quarta (5) à Fox News.
"Ela precisa acabar, e ninguém tem uma ideia ou um plano sobre isso", completou Rubio, com desassombro, ao comentar a suspensão da ajuda militar americana, na forma de envio de armas e compartilhamento de informações de inteligência, aos ucranianos.
A fala do secretário repete a terminologia adotada pelo Kremlin ao longo da guerra. Antes, Trump já havia se alinhado a Putin ao ligar para o russo e iniciar negociações bilaterais sem Kiev ou Bruxelas, e comprando seus argumentos acusando Volodimir Zelenski pelo início da guerra.
No meio do caminho está a Europa, perdida com a guinada de 180 graus da Casa Branca, que havia liderado o que a Rússia e agora o governo Trump chama de guerra por procuração. A retórica de Trump sempre foi a mesma: o conflito é um problema de europeus, e os EUA gastam demais com a Otan.
Com efeito, a reação tem sido liderada não pela aliança militar ocidental, mas pela União Europeia, cujos líderes se encontram nesta quinta (6) em Bruxelas para discutir o plano anunciado de US$ 860 bilhões para reavivar a indústria de defesa do continente e rearmar seus membros. Zelenski está presente, e disse estar feliz com a demonstração de apoio. É um número mágico, com efeitos propagandísticos.
Ao chegar a Bruxelas, a retórica dos líderes foi a mesma dos dias anteriores, com promessas de mais gasto militar. "A Europa pode se rearmar mais rapidamente e de forma mais eficiente que a Rússia", disse o premiê polonês, Donald Tusk, cujo país é o maior investidor no setor em proporção do PIB, 4,1%, na Otan. "Temos de assumir essa corrida armamentista."
A maioria foi cuidadosa, por questões orçamentárias, acerca de dissociar a Europa dos EUA.