Por: Affonso Nunes

Imperatriz Leopoldinense: uma saudação ao senhor de toda a sabedoria

Após uma década, a Imperatriz retoma uma temática ligada à mitologia dos orixás | Foto: Nelson Malfacini/Divulgação

A atual vice-campeã do Carnaval, a Imperatriz Leopoldinense, leva à Marquês de Sapucaí um enredo que mergulha nas raízes da cultura afro-brasileira. Sob o tema "Ómi Tútu Ao Olúfon – Água Fresca para o Senhor de Ifón", a escola de Ramos retoma, após quase meia década, uma temática ligada à mitologia dos orixás, celebrando a espiritualidade, a ancestralidade e a riqueza das tradições africanas.

Olúfon é um dos muitos títulos de Oxalá, o orixá maior da mitologia iorubá, associado à criação, à pureza e à sabedoria. A expressão "Ómi Tútu Ao Olúfon" significa "água fresca para o senhor de Ifón", uma oferenda simbólica que representa respeito, devoção e renovação.

A narrativa do desfile explorará a relação entre os seres humanos e o sagrado, destacando a importância da água como elemento purificador e vital, tanto no plano físico quanto no espiritual.

Desenvolvido pelo premiado carnavalesco Leandro Vieira, o enredo promete uma abordagem poética e visualmente impactante, com destaque para a mitologia dos orixás e as tradições do candomblé.

A escola, conhecida por seus desfiles grandiosos e temáticas profundas, busca não apenas contar uma história, mas também transmitir uma mensagem de respeito e reverência às raízes africanas que formam a base da cultura brasileira.

O abre-alas da Imperatriz representará a criação do mundo segundo a mitologia iorubá, com destaque para o papel de Oxalá como criador e organizador do universo. Gigantescas esculturas de orixás, símbolos sagrados e elementos da natureza, como rios e cachoeiras, ganharão vida em meio a efeitos visuais que remetem à espiritualidade e à conexão com o divino.

ENREDO: "Ómi Tútu Ao Olúfon – Água Fresca para o Senhor de Ifón"

Vai começar o itan de Oxalá
Segue o cortejo funfun pro senhor de Ifón, Babá

Orinxalá, destina seu caminhar
Ao reino do quarto Alafin de Oyó
Alá, majestoso em branco marfim
Consulta o ifá e assim
No odú, o presságio cruel
Negando a palavra do babalaô
Soberano em seu trono, o senhor
Vê o doce se tornar o fel

Ofereça pra Exú… um ebó pra proteger
Penitência de Exú, não se deixa arrefecer
Ele rompe o silêncio com a sua gargalhada
É cancela fechada, é o fardo de dever

Mas o dono do caminho não abranda
Foi vinho de palma, dendê e carvão
Sabão da costa pra lavar demanda
E a montaria te leva à prisão
O povo adoeceu, tristeza perdurou
Nos sete anos de solidão

Justiça maior é de meu pai Xangô
Traz água fresca pra justiça verdadeira
(meu pai Xangô mora no alto da pedreira)

Preceito nagô a purificar
Desata o nó que ninguém pode amarrar
Transborda axé no ibá e na quartinha
Pra firmar tem acaçá, ebô e ladainha

Oní sáà wúre! Awure awure!
Quem governa esse terreiro ostenta seu adê
Ijexá ao pai de todos os oris
Rufam atabaques da Imperatriz

Autores:  Me Leva, Thiago Meiners, Miguel da Imperatriz, Jorge Arthur, Daniel Paixão e Wilson Mineiro